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domingo, 27 de julho de 2014

Travessia Petrópolis-Teresópolis, por Rafael Guerra

Na portaria do Parnaso, no Vale do Bonfim.
Da esquerda para a direita: Jonathas Scott; Alexandre Mendes; Lidiane Araújo; Rodrigo França; Ana Paola; Michelle Soares; Daniel dos Santos; Helene Moretti e Daniela Lima. 
Foto de Michelle Soares.

Eu já estava há algum tempo com vontade de organizar uma excursão com a turma aqui de Jacarepaguá e quando o Alexandre Mendes me falou sobre a ideia de agitarmos uma travessia, eu me animei e topei na hora.
Formamos um grupo de 10 pessoas principalmente com a turma d’O Muro, nossa associação de escaladores e amigos. Infelizmente nem todos que quiseram embarcar nessa trip conseguiram nos acompanhar devido à lotação nos campings e abrigos do PARNASO. Coisa de alta temporada...

Aproveitamos um feriado municipal inesperado, decretado aqui no Rio na 6ª feira (04/07), devido à um jogo da Copa do Mundo no Maracanã. Às 6 da manhã nos encontramos em Jacarepaguá, e logo a van do Júnior chegou para nos levar até a portaria do parque no Vale do Bonfim. Após uma viagem rápida chegamos pouco depois das 8 horas e fizemos o “check in”, aproveitamos para os últimos ajustes nas mochilas e partimos sem pressa. Na verdade, acabamos demorando muito e saímos tarde... quase 9h30.
Vale do Bonfim. Em direção à bifurcação para o Véu da noiva.
Foto de Rodrigo França.
Seguimos devagar e quase sem parar até a Pedra do Queijo, onde fizemos algumas fotos e comemos rapidamente. Depois disso, uma nova parada, no Ajax, para reabastecermos os cantis e (mais uma vez) o estômago.
Fomos subindo sem pressa a exigente Isabeloca, contemplando as montanhas da região. O dia estava muito bonito e o Chapadão, impressionante como sempre. A vontade que me dá sempre que  chego naquele ponto é ficar relaxando ao som do vento e curtindo o visual dos campos de altitude. Acho que é um dos meus lugares preferidos.
Jonathas Scott e Rodrigo França na Pedra do Queijo.
Foto de Rodrigo França.
Chegamos no Açú às 14h30 com a bela recepção do Amilton e montamos as barracas no camping próximo ao Abrigo. O Jonathas foi sagaz e tomou o cuidado de reservar o banho da turma toda assim que chegamos. Isso agilizou muito. Depois dos banhos, nos reunimos numa pedra próxima ao acampamento e preparamos o jantar enquanto conversávamos e ouvíamos Brasil x Colômbia pelo celular da Ana Paola.
Satisfeitos com o placar do jogo e bem alimentados, fomos dormir às 8h40.
Às 5 da matina levantamos eu, Rodrigo, Daniel, Daniela e Helene e fomos para o mirante, ver o Sol nascer.
Nascer do Sol no Açú.
Foto de Rafael Guerra.
Retornamos ao acampamento às 6h30 para um rápido café da manhã e começamos a andar às 7h30. Como a minha última travessia havia sido há 3 anos, algumas partes haviam mudado, mas nada demais. Na verdade fiquei com a impressão que a trilha está muito melhor sinalizada!
Quase chegando no Elevador, a Lidiane enfiou o pé em um buraco e bateu forte com o joelho numa pedra. Ficamos preocupados e de olho, mas ela continuou andando bem.
Às 12h15 chegamos no Vale das Antas e fizemos um lanche de 15 minutos. Menos de uma hora depois, estávamos no Vale dos 7 Ecos.
A turminha reunida no Dinossauro.
Foto de Michele Soares.
No Dinossauro, com a Bandeira!
Foto de Michele Soares.
Cansado depois da longa caminhada, foi subindo o Sino em direção ao Cavalinho. O cavalinho é sempre um lance que requer uma atenção maior com o grupo, mas todos mandaram bem e conseguimos passar todo mundo em cravados 15 minutos!
Chegamos no Abrigo às 14h40. O tempo passa rápido quando a gente se diverte e a impressão que eu tenho é que após montarmos as barracas e tomarmos banho já havia começado a escurecer. Nós estendemos os isolantes térmicos na grama e fizemos um jantar coletivo, que mais parecia um rodízio de petiscos!
Como dormimos cedo, às 6 da manhã já estavam todos acordados. Ventava moderadamente e havia um pouco de neblina cobrindo o cume, mesmo assim resolvemos subir, já que parte do pessoal ainda não conhecia o cume do Sino. Lá em cima o vento estava mais forte e garoava um pouco. Ficamos só alguns minutos para umas fotos e voltamos para o camping.
Partimos para Teresópolis às 9h30, após o  café, e às 12h15 todo o grupo já estava reunido na barragem. Como havíamos marcado o resgate para as 14 horas, após uma sessão de alongamento comandada pela Ana Paola, descemos a pé e paramos em um bar quase em frente à portaria de Teresópolis. Algumas cervejas e sardinhas fritas depois a van chegou e retornamos satisfeitos para o Rio.
Impressão totalmente positiva sobre a caminhada e sobre a companhia. Até a próxima!

Descanso na Pedra da Baleia.
Foto de Rafael Guerra.
Jonathas no relax.
Foto de Rodrigo França.
Helene Moretti, Michelle Soares, Daniel dos Santos, Jonathas Scott e Rodrigo França no cume do Açú.
Foto de Rodrigo França.
Nosso jantar no Açú.
Foto de Rodrigo França.







domingo, 18 de maio de 2014

Aiuruoca - dias 4 e 5, por Rafael Guerra

Vale do Matutu e

cachoeira dos Garcias

Terça 05/03:

O Casarão do Matutu.
foto de Fábio Fliess.

foto de Fábio Fliess.

O dia amanheceu nublado e decidimos retornar ao Vale do Matutu para conhecemos a Cachoeira das Fadas.
Das cachoeiras que nós conhecemos, essa é a que exige a caminhada mais curta. Em 10 minutos seguindo uma trilha que começa entre o casarão e uma lojinha de artesanato, chega-se ao primeiro poço. Ficamos por lá durante umas 3 horas e seguimos direto para o restaurante da Tia Iraci.
Que experiência! O restaurante é dividido pelas varandas das 3 casas que formam uma pequena comunidade e tudo é muito bem cuidado.
A comida e o atendimento são ótimos. Um daqueles lugares que a gente fica com pena de ir embora.
Imperdível também, é dar uma passada na loja da Associação de Moradores do Matutu para comprar itens da produção local.

Cachoeira das Fadas.
foto de Fábio Fliess.

A turminha se divertindo no poço da Cachoeira das Fadas.
foto de Gilmar Oliveira.


Restaurante Tia Iraci.
foto de Gilmar Oliveira

A turminha reunida para o almoço.
foto de Gilmar Oliveira.

Quarta 06/03:

Cachoeira dos Garcias.
foto de Fábio Fliess.

Para fecharmos o último dia da viagem, resolvemos conhecer a cachoeira dos Garcias.
Seguimos o mesmo caminho que leva ao início da trilha para o Pico do Papagaio e ao restaurante da dona Gilda. Aos 4 km, viramos a direita na primeira bifurcação e, após mais uns 400 metros, viramos a direita novamente na segunda bifurcação. A orientação não é difícil porque as bifurcações são bem sinalizadas.
Continuamos seguindo a estrada morro acima, sempre pela crista da montanha e, mais ou menos após mais uns 5,3 km nos deparamos com uma outra estradinha à esquerda, que é justamente o trecho final. Ali há vários recuos para estacionar o carro. Desde o asfalto o trajeto todo percorre um pouco menos de 10km.
E vale muito a pena, já que a cachoeira dos Garcias é uma das mais bonitas e impressionantes de toda a região.
Quarta-feira foi o dia no qual a água estava mais gelada. Isso garantiu muitas gargalhadas a cada momento que alguém entrava na água...
No retorno da cachoeira, almoçamos mais uma vez no restaurante Três Irmãos e partimos de volta para o Rio de Janeiro.
Aiuruoca é um daqueles lugares que dá pena de deixar para trás. Voltei nesse clima para o Rio, não imaginando que retornaria tão rápido... dessa vez para a Travessia Aiuruoca x Baependi, também chamada de Travessia da Serra do Papagaio. Essa história é imperdível e será contada pelo Fábio Fliess na nossa próxima postagem.

A Cachoeira dos Garcias.
foto de Fábio Fliess.

A Cachoeira dos Garcias.
foto de Fábio Fliess.

Dica:

Restaurante da Tia Iraci

Comida da roça
Preço: livre R$ 28/pessoa ou a lá carte R$ 20.
Localização: Vale do Matutu. Após deixar o carro no Casarão do Matutu, seguir pela trilha em direção à cachoeira do Fundo e dobrar à esquerda na placa "tia Iraci". O restaurante fica e uma pequena comunidade há 10 minutos de caminhada a partir do Casarão.


domingo, 20 de abril de 2014

Aiuruoca - dia 1, por Rafael Guerra


Após quase dois anos sem reunirmos os três em uma mesma trip, eu; Fábio e Gilmar partimos com nossas esposas e o Fernando Badia e família para Aiuruoca para explorar os atrativos do local (que não são poucos) durante o período do Carnaval 2014.

Para que o relato não fique muito maçante, eu dividi a história em 4 partes, cada uma referente a um dia da viagem, nas quais eu tentarei dividir algumas dicas sobre os lugares por onde passamos.

Sábado 02/03:

Cachoeira "Deus me Livre". Foto de Fábio Fliess
Para evitar a fadiga, eu e Lidiane subimos do Rio para Petrópolis já na sexta-feira. Acordamos bem cedo no sábado e reunimos o grupo todo no pedágio da BR-040, na altura de Areal. Foi nesse momento que conheci o Fernando Badia e sua família, todos muito bacanas.
Depois de 3 horas de uma viagem tranquila, chegamos na Pousada Pico do Papagaio quase na hora do almoço. 

Largamos as bagagens e rodamos pouco menos de dois quilômetros até o centro de Aiuruoca para tentarmos encontrar algum lugar para almoçar. Demos uma volta pela praça principal da cidade e nenhum sinal de carnaval... uma tranquilidade. Acontece que em Aiuruoca o Carnaval é comemorado uma semana antes! Segundo me informei, trata-se do primeiro Carnaval antecipado do Brasil. A história toda está em um link no final do post.
Igreja matriz. Foto de Fábio Fliess

Passamos em um Centro de Informações, onde fomos atendidos com a simpatia típica mineira, e conseguimos alguns mapas turísticos e informações sobre trilhas e cachoeiras da região. Acabamos escolhendo o restaurante "Dois Irmãos"... e que bela escolha!
Comida boa, atendimento legal e preço honesto. Recomendo.
Saindo do restaurante, acabamos resolvendo conhecer uma cachoeira próxima, e a escolhida foi a "Deus me Livre". Saímos da cidade, em direção ao Vale do Matutu e, numa curva após 2 km em estrada de terra, avistamos na margem direita a fazenda que marca o início da trilha. Deixamos os 3 carros em frente à porteira da fazenda e caminhamos uns 30 minutos por uma trilha com calha bem marcada até chegarmos na cachoeira. Essa cachoeira “Deus me Livre” além de muito bonita é próxima à cidade, é ótima para banho principalmente por causa de um poção com boa profundidade.
Trilha para a cachoeira Deus me Livre.
Gilmar e Alessandra na trilha para a Cachoeira Deus me Livre.
Foto de Fábio Fliess.
A noite, enquanto jantávamos, o Gláucio se juntou ao nosso grupo. O primeiro dia só não foi melhor por causa da decepção com a pizzaria "Dona Azeitona". Chegamos às 20h30; metade do grupo foi atendido somente às 22h e a outra metade conseguiu jantar apenas as 23h da noite. Nem tudo são flores.


Dicas:

Pousada Pico do Papagaio
Localização: Seguindo pela estrada que liga a MG-267 à Aiuruoca, a entrada da pousada fica na margem direita da pista, logo após a primeira entrada para a cidade.
Preços: Durante o período do Carnaval, nós pagamos R$ 140 de diária por casal.
Acomodações e café da manhã: O café da manhã é muito bom e está incluído no preço. As suítes são bem simples e limpas e a cama é boa.
Responsável: Dona Agda
Telefone: (35) 9827-1244
E-mail: contato@pousadapicodopapagaio.com.br

Centro de informações:
Telefone: (35) 3344-1924
Localização: Casa da Cultura, Praça Monsenhor Nágel nº 22

Carnaval antecipado:
http://www.aiuruocamg.com.br/site/carnaval-antecipado

domingo, 20 de maio de 2012

Pico do Inficionado, por Gilmar Oliveira

Características:
Altitude: 2.068m;
Duração: 4 a 5 horas (ida);
Distância: 11km.
A Caraça.
O Parque Natural do Caraça apresenta muitas atrações e uma grande variedade de atividades de aventura para os praticantes de ecoturismo, trekking e montanhismo. São cachoeiras, trilhas e montanhas que compõem uma parte da paisagem da Serra do Espinhaço que está localizada nos municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, no estado de Minas Gerais, a 120 km de Belo Horizonte. Dizem que a Serra lembra o rosto de um gigante deitado, daí a origem do nome Caraça (grande cara).

Parte plana, no início da trilha.

O Caraça também dá nome ao antigo colégio Caraça, onde importantes personalidades da história brasileira estudaram. O Parque compreende uma área de 11.233 hectares onde convivem ecossistemas da Mata Atlântica e do Cerrado. Nosso grupo já conhecia as trilhas da região quando esteve em outubro de 2007 e percorreu dois roteiros: a Cascatona e o Pico do Sol. Desta vez a idéia do nosso grupo seria tentar subir duas montanhas, sendo uma delas já definida: o Pico do Inficionado. Os picos do Parque Natural do Caraça somente podem ser acessados com a presença de guias registrados pelo próprio parque.
A serra do Caraça é composta por sete picos com variado grau de dificuldade de acesso: Verruguinha (1650), Três Irmãos ou Trindade (1675m), Conceição (1800m), Carapuça (1955m), Canjerana (1890m), Inficionado (2068m) e Pico do Sol (2072m).  

A Caraça e, à direita após a grota,
o Inficionado.

Antes de chegar a Santa Bárbara já havíamos feito contato com João Julio, um dos guias mais antigos do Caraça e que nos levara ao Pico do Sol em 2007. Tudo pronto para mais uma aventura, tratamos de chegar cedo à sede do Parque e rapidamente nos preparamos para iniciar a trilha. Nosso grupo foi composto por mim, Alê, Fábio, Rafael, Iza, Lidiane e o Miguel, de Belo Horizonte. Começamos a caminhar às 9h.

A trilha até o Pico do Inficionado possui 11km de extensão, sendo que apenas os 5 primeiros quilômetros são vencidos com grande facilidade, o que pode ser feito em 1h de caminhada leve, aproximadamente. Pouco à frente chega-se ao último ponto de água e, é importante levar no mínimo dois litros de água para vencer o restante do percurso até o cume, principalmente se o dia estiver muito quente e com sol forte.

A turma no "toca pra cima".

Um longo e forte trecho de subida é alcançado mais adiante, justamente após a trilha se dividir entre o caminho leva ao Pico do Verruguinha (à direita e em frente) e ao Pico do Inficionado (à esquerda). O dia estava perfeito e o sol de rachar, por isso a recomendação de proteção solar intensa e muita hidratação nas trilhas desta região, sempre. O primeiro trecho de subida é o mais difícil e pode ser vencido com aproximadamente 40 mim de muito esforço e algum cuidado nas passagens pela encosta, que não oferece grandes riscos.

Ao final desta subida existe um platô de onde se pode apreciar o belo visual do Parque e das montanhas ao redor. Chegamos a esse local após 2h de trilha, aproximadamente. O tempo total estimado para subir o Inficionado é de 4 a 5 horas (ida), dependendo das condições físicas do caminhante. A seqüência da trilha após o primeiro platô é um pouco mais suave e alterna raros trechos planos e lajes de pedra com inclinação razoável, que permite ao trekker manter um bom ritmo de subida. Nosso guia não estava muito bem devido a uma possível intoxicação alimentar, o que o levou a ter alguma dificuldade para conduzir nosso grupo deste ponto até o cume. 

Trecho em lage de pedra antes da
subida final.

Às 12h avistamos nosso objetivo: o cume do Inficionado, localizado sobre uma rampa de subida forte é um pouco acidentado. Mais trinta minutos de trilha e estaríamos alcançando a base do cume. Após 3 horas e meia de intensa caminhada sob um forte sol, exatamente às 12h30, chegamos ao cume do Inficionado. O visual é fantástico e as fotos comprovam que se trata de um dos lugares mais belos da Serra do Espinhaço em Minas Gerais. O Inficionado é reconhecidamente o Pico mais exigente do Parque Natural do Caraça, devido principalmente aos trechos acidentados e íngremes que compõem boa parte da trilha. Em grau de dificuldade, logo após está o Pico do Sol, apesar de ser um pouco mais alto e possuir uma trilha mais extensa do que o Inficionado.
João Julio (guia), Gilmar, Iza, Fábio, Miguel, Alê, Rafael e Lidiane no Pico do Inficionado.
Permanecemos no cume aproximadamente por 1 hora, tempo suficiente para gravar algumas belas imagens, tirar muitas fotos e comer. Iniciamos a descida pouco antes das 14h e o tempo indicava que chegaríamos antes do entardecer. Como esperado, os trechos iniciais do retorno exigiram muito das articulações de joelhos e tornozelos, devido ao elevado grau de inclinação da trilha. Fábio sofreu uma leve torção de joelho, mas, apesar disso, prosseguiu sem maiores problemas. Vencida a parte mais íngreme da trilha, depois de passar novamente pelo último ponto de água, o retorno foi muito tranqüilo e a única preocupação de todos foi registrar as belas imagens daquele final de tarde. Aproximadamente às 17h30 estávamos de volta ao Santuário do Caraça e a cerveja gelada foi a merecida recompensa por nosso esforço naquele dia.

Mais informações sobre o Parque do  Caraça em: http://www.santuariodocaraca.com.br/inicial.php


sábado, 28 de abril de 2012

Peito de Pombo, por Gilmar Oliveira

Características:
Altitude: 1.400m;
Duração: 3 a 4h (ida);
Distância: 7.100m.

O "Peito do Pombo". A curiosa formação que dá nome à montanha.
Para chegar ao Arraial do Sana, ponto de partida para a escalada do Peito de Pombo, basta pegar a RJ-142, que também é conhecida como estrada Serra-Mar. Esta rodovia liga o distrito de Lumiar (Nova Friburgo) até Casimiro de Abreu. Fique atento porque a sinalização para quem segue no sentido Lumiar x Casimiro de Abreu é precária e o acesso pode passar despercebido. Já no sentido Casimiro de Abreu x Lumiar não há dúvidas. Mais dicas sobre como chegar e referência sobre onde ficar podem ser obtidas através do Portal do Sana (http://www.portaldosana.com.br/).
 
Croqui da trilha

A trilha do Peito de Pombo começa no próprio Arraial do Sana, bastando seguir o caminho em direção às cachoeiras. Há um ponto de controle e registro de visitantes no inicio da trilha. Se levar um GPS calibre para 296m de altitude nesse ponto e prepare-se porque serão mais de mil metros de desnível e cerca de 3h de trekking intenso até atingir o cume da montanha. Procure iniciar a caminhada bem cedo, evitando as temporadas de verão e dias de sol forte, que podem resultar em pancadas de chuva e dificultar o trecho que exige transposição do rio. A extensão total do início da trilha até o cume é de cerca de 7km (ida).

A trilha é muito bem definida em seu início e conta com boa estrutura e vários pontos de coleta de água. Segue sempre sob uma floresta densa e pelo lado direito do rio, com vários pontos de acesso as cachoeiras da região, que são muito procuradas por turistas que visitam o Arraial. Depois de se afastar das cachoeiras, a trilha fica um pouco mais aberta, passa por algumas porteiras que controlam o acesso de fazendas e sítios, de ambos os lados. Procure sempre manter as porteiras fechadas após sua passagem. Durante esse trecho sempre é possível avistar o cume da montanha, olhando para a esquerda, no alto do vale cortado pelo rio. Você notará que a trilha descerá até o fundo desse vale, contornando a base da montanha pela direita, acessando-a por trás. Esse trecho inicial é o trecho mais extenso da trilha, porém, praticamente plano em toda sua extensão.

Vista do Vale do Peito de Pombo, logo após o início da subida, depois da travessia do rio. É possível ver, no centro do vale, a parte da trilha que já ficou para trás.
Fique atento porque serão cerca de 1h30 até chegar ao fundo do vale, onde se deve cruzar o Rio, à esquerda, e seguir por uma trilha que sobe à direita. Este é um ótimo ponto de parada para um lanche e para recarregar as energias. No local existe uma placa indicativa que contém a altitude da montanha (1.400m). Pouco menos de 3 km de distância separam o fundo do vale até o cume, mas, a trilha se torna muito exigente a partir desse ponto. A trilha segue subindo por um pasto com capim e caminho pouco definido. Não se afaste para a esquerda, procure subir o morro contornando sempre em direção à direita, observando como referência um pequeno bambuzal que pode ser avistado na extremidade direita desse morro. Fique atento porque esse trecho é pouco definido. Após ser aproximar do bambuzal deve-se atravessar a cerca e continuar subindo à direita, ainda por um trecho de pasto. Mais à frente haverá outra cerca que também deve ser atravessada. Desse ponto se pode avistar o cume do Peito de Pombo à frente. Aproveite para registrar algumas fotos, porque será o último ponto que se pode avistar o cume.

Eu e o Rafael Guerra, no trecho logo após o bambuzal.
 
 Mais à frente a trilha entra em uma mata fechada e começa a parte mais exigente do trekking. Não existem problemas quanto à orientação, o caminho é muito bem definido a partir desse trecho, mas, muito íngreme e escorregadio até chegar ao cume. Logo após entrar na mata haverá o ultimo ponto de água de fácil acesso. 

O "toca-pra-cima"!!!
Depois disso, ainda há mais um ponto de água, localizado pouco antes do cume, porém, de difícil coleta. Para facilitar a progressão neste trecho de mata é necessário se apoiar em raízes expostas e pequenas árvores. Essa será a sua rotina por cerca de 1h de subida forte, até atingir o cume.  

Ao chegar à Pedra que constitui a base do cume da montanha, procure contorná-la pela direita. Existem cordas fixas para facilitar algumas passagens. Antes de usá-las, é conveniente avaliar o seu estado para evitar surpresas. Também é possível dispensar o uso das cordas e se apoiar nas raízes das árvores. Depois de subir o primeiro cume, avista-se o cume principal, que também possui uma corda fixa para auxiliar o acesso. Embora existam cordas fixas em três trechos, próximos ao cume, não há exposição que coloque o montanhista sob risco de acidentes. Pronto, chega-se ao cume do Peito de Pombo depois de uma jornada de 3h de trilha intensa. 

A pedra que existe no cume só pode ser acessada com o uso de equipamentos de escalada artificial. O visual é incrível e compensa o esforço do montanhista. Aproveite para se re-hidratar, alimentar-se e recuperar as energias para mais três horas de retorno.
 


A turma reunida no final da caminhada.

 

domingo, 1 de janeiro de 2012

Torres del Paine, por Rafael Guerra

Pessoal, segue o relato do nosso trekking (ou tentativa de trekking) em TDP em dezembro. Como estou escrevendo em um computador público nao houve tempo para a inclusao de fotos e vídeos. Isso vai ficar pra depois assim como a correçao da acentuaçao...

Partimos de Puerto Natales para o Parque Torres del Paine no dia 28 de dezembro e chegamos na entrada do parque, Guardaria Laguna Amarga às 16h25, após quase 2 horas de ônibus. Assim que chegamos fomos avisados por um guarda que o circuito estav fechado devido a um incêndio e que só poderíamos seguir até o refúgio Grey. Resolvemos iniciar assim mesmo o trekking, acreditando que em 2 ou 3 dias a passagem já estaria liberada e que o pior que poderia acontecer seria termos que voltar tudo caso o incêndio continuasse.


Começamos a caminhada por volta das 17 horas e chegamos no camping Serón mais ou menos às 23 horas, junto com o pôr do Sol. O esforço desse dia nos deixou bem cansados e com a certeza de que nao deveríamos ter começado a caminhar tao tarde.

No dia 29 acordamos tarde e fizemos questao de fazermos tudo bem devagar, sem pressa. Tomamos um café da manha reforçado e saímos às 13 horas rumo ao refúgio Dickson. Após 2 horas e meia de caminhada, depois do lago Paine; onde encaramos um vento muito forte; encontramos um pequeno bosque e paramos ali por 50 minutos para o almoço. Umas 3 horas depois, paramos novamente para tomarmos café. Foi muito legal e diferente essa dinâmica de parar pouco e quando parar, em vez de lanchar barrinhas de cereais, fazer um almoço leve.

Chegamos no refúgio Dickson umas 21 horas sob um vento forte e fomos informados que o acampamento Los Perros estava fechado mas que poderíamos fazer um bate-e-volta sem problemas. Como passamos a ter muito tempo disponível, já que nao poderíamos fazer o circuito completo, resolvemos tirar o dia seguinte de folga e deixar o bate-e-volta em Los Perros para o dia 31. Nós passaríamos o reveillon no Refúgio Dickson e voltaríamos para Serón no primeiro dia de 2012.

Decidimos montar as barracas bem próximas uma das outras de modo que elas se protegessem mutuamente contra o vento. A minha barraca foi montada por último com a ajuda do Fábio e da Letícia. Quando terminamos, deu tempo apenas de eu colocar a minha mochila dentro da barraca e uma rajada de vento mais forte simplesmente a achatou contra o chao, quebrando a estrutura de alumínio e rasgando o cobre-teto!
Acabei conseguindo acomodaçao no refúgio por $ 10.000 Pesos. Havia também barracas para alugar por $ 7.000 Pesos mas achei que a diferença de preço nao fazia isso valer a pena. Acabou sendo uma noite agradável... Fábio, Letícia Gilmar e Alessandra foram para o refúgio e jantamos uns sanduíches de carne bem legais com cerveja Austral. Eu bebi umas 4 latinhas de cerveja... gostei muito! Depois que a turma voltou para as barracas eu ainda fiquei bebendo no refùgio até 1 hora da manha na companhia de um grupo de trekkers chilenos.

Quando a gente olhava para as montanhas na direçao das Torres, víamos as núvens coloridas pelas chamas que consumiam a vegetaçao do parque. Um espetáculo muito triste.


Na manha seguinte, dia 30, acordei disposto a nao fazer nada além de curtir a folga da caminhada. Afinal, já havíamos andado mais de 36km e as mochilas estavam bem pesadas!

Quando saí do refúgio para tomar o café da manha com os amigos que estavam acampados, fui abordado por um guarda que me disse que o parque estava fechado; que estava sendo evacuado e que deveríamos partir também. Segundo ele, os acampamentos Los Perros e Serón já estavam fechados e o Dickson seria fechado em breve também.
Nesse momento a minha maior preocupaçao era arrumar acomodaçao para dormir quando chegássemos em Serón, já que eu nao tinha barraca e também já náo poderia contar com a possibilidade de alugar uma barraca do acampamento! As barracas que os meus amigos estavam levando eram para uma pessoa, com conforto. Enfiar 3 pessoas numa barraca dessas seria um problema mas parecia a única opçao.
Comida também era um problema, já que nos preparamos para comprar os alimentos nos refúgios e campings por onde passaríamos. Conosco, levávamos apenas uma quantidade pequena para emergências.

Arrumamos tudo e saímos de Dickson às 13h15. Naquela altura, com o corpo mais acostumado ao exercício, a caminhada parecia mais fácil para todos. A ao ser na parte da trilha próxima ao mirador do Lago Paine. O vento, que já estava forte no dia anterior, nesse dia parecia estar com o dobro da força. A Alessandra estava caminhando bem a frente do grupo, depois seguíamos eu e o Gilmar e bem mais atrás, o Fábio e a Letícia. O vento era tao forte que eu só conseguia seguir muito devagar, de costas para uma pirambeira de 150 metros que terminava no lago e forçando os bastoes de caminhada contra um paredao de rocha que se estendia por boa parte do lado direito da trilha. Em um certo momento resolvi arriscar uma caminhada mais rápida de frente para a trilha e o vento me empurrou contra a rocha me fazendo subir uns 2 metros no paredao. Quase pirei tentando descer dali antes que o vento desse uma trégua e eu desabasse. Parecia um skatista em um halfpipe. Depois o Fábio me contou que passou pela mesma situaçao naquele ponto...
Continuei caminhando com muita dificuldade. O barulho do vento era muito alto e a força dele fazia a mochila zunir ao mesmo tempo que eu era praticamente açoitado pelas fivelas da mochila. Posso dizer que "entrei na porrada"!
Em um dado momento passei pelo Gilmar caído no chao. Ele havia se jogado atrás de um arbusto grande para tentar nao ser lançado montanha abaixo. Seguimos juntos, caminhando um pouco mais e finalmente conseguimos sair daquele inferno. Esperamos uns 15 minutos pelo Fábio e pela Letícia. Preocupados, resolvemos voltar para socorrê-los caso fosse necessário. Nao conseguimos! Em um determinado ponto de uma curva parecia que havia uma parede de vento que nos impedia de seguir.
Ficamos aliviados quando pouco depois os dois apareceram e saíram do vento.

Chegamos ao camping Serón às 20h45 e era possível avistar a fumaça do incêndio ao longe.

Achei estranho haver gente dentro da administraçao do camping, já que ele deveria estar fechado. Quando entrei , encontrei uma família de 12 montanhistas chilenos com os quais eu havia feito amizade no dia anterior. Eles estavam fazendo o trekking sem barraca, já que o parque quando nao oferece refúgio, dispoem de barracas para alugar. Com o camping fechado, eles ficaram "sem teto", na mesma situaçao que eu, e forçaram uma das portas em busca de abrigo. Sabendo da minha situaçao, eles pegaram uma das barracas do parque e me emprestaram para que eu passasse aquela noite.
No dia seguinte eu devolvi a barraca arrumada e limpa. Os chilenos haviam dado uma boa faxina no local e arrumado tudo.
Partimos todos juntos e umas 13h já estávamos na Laguna Amarga espeando pelo ônibus que nos levaria à Puerto Natales.

Apesar de nao termos conseguido fazer o circuito completo mais o "W", como havíamos planejado, ficamos bem e posso dizer que valeu a pena. A única e grande tristeza ficou por conta de ver tamanho patrimônio natural sendo queimado pela irresponsabilidade de um idiota que resolveu queimar o seu papel higiênico para nao ter que carregá-lo!

O que queremos agora é voltar aqui depois de algum tempo e encontrar tudo recuperado.

Atualizaçoes:
03/Jan - 09h56 - Hoje a CONAF (o "Ibama" do Chile) fará o sobrevoo das áreas afetadas pelo incêndio e decidirá sobre a reabertura parcial do parque.
Já estamos preparando o nosso retorno para tentarmos fazer ao menos uma parte do W nos próximos dias.
Enquanto isso, hoje, daremos uma pedalada até o sítio arqueológico Cueva del Milodon. Distante cerca de 30km de Puerto Natales.