quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Da idéia à realização

Pessoal.

Estou de volta para contar (em partes, como diria Jack) como foi colocar em prática a idéia de escalar a montanha mais alta da África e mais alta montanha isolada da terra: o Monte Kilimanjaro. Ele mesmo, o vulcão das neves eternas, imortalizado por Ernest Hemingway. Hoje, infelizmente, essas neves já não são tão eternas.

A idéia de subir o Kili surgiu em 1998 em uma conversa de bar, para discutir os próximos projetos. Não sei bem porque, mas a coisa acabou vingando. E a idéia se espalhou como um rastilho de pólvora entre os nossos amigos de caminhada. Não demorou muito, e a equipe já estava fechada, contando comigo e os meus amigos Marcelo, Gilmar, Vítor e Amaral.

Desde o início, idealizamos que a data perfeita para essa viagem seria dezembro de 2000. Com isso, teríamos pouco mais de dois anos para angariar os fundos necessários. Não era uma viagem barata! O custo estimado era de 5 mil dólares por pessoa. Um valor que assustava qualquer um. Sabíamos disso, mas criamos esse sonho e não íamos desistir dele tão fácil.

Cabe o comentário que nenhum de nós havia nascido em berço esplêndido ou herdado uma bolada. Todos trabalhavam e/ou estudavam, e não tínhamos outra saída senão divulgar o projeto, tentar obter fundos e quem sabe buscar algum tipo de patrocínio.

Com essa necessidade, o Projeto Kilimanjaro 2000 atingiu a mídia regional. Sabíamos que isso era uma faca de dois gumes, que podia representar a certeza da viagem, como também dificuldades em aventuras futuras, caso não conseguíssemos levar à cabo nosso compromisso. Ou seja, tínhamos um grande peso nas costas.

Independente disso, a animação era constante e corríamos atrás do que era possível. Infelizmente, praticamente ao mesmo tempo, o Vítor e o Amaral tiveram que desistir da empreitada, por motivos de trabalho. Sobramos eu, Marcelo e Gilmar para continuar acalentando o sonho do Kilimanjaro.

Apesar do baque pela ausência dos amigos, nosso objetivo ficava mais perto conforme o tempo ia passando e íamos conquistando pequenas vitórias. De pequenas notas em jornais, já conseguíamos página inteira na edição dominical do principal jornal da região. Aos poucos, passamos também a fazer entrevistas na rádio. Ou seja, as coisas começavam a acontecer. Fizemos camisas para vender, rifas de eletrônicos, festas. Tudo que ganhávamos era investido. Era a melhor expressão do espírito “Do it yourself”.

Paralelamente, não podíamos esquecer da preparação física e dos preparativos para a viagem. Por conta disso, apareceu o nosso primeiro “patrocínio”, que foi de uma academia de Petrópolis. O dono, Ricardo, foi um dos primeiros a acreditar no nosso projeto e franqueou as dependências da sua academia para a nossa preparação. Menos uma coisa para preocupar nossas mentes.

Além de trabalhar, divulgar o projeto, juntar dinheiro, malhar, tínhamos que buscar informações e referências para a viagem. Equipamentos precisavam ser comprados e testados. Contatos precisavam ser feitos.

Através de Airton Ortiz, conhecido escritor de livros de viagem e aventura, conseguimos o contato do Silvano Hamisi, guia tanzaniano que o levou ao cume do Kilimanjaro em 1997. Graças a internet, rapidamente fizemos contato e fomos formatando a viagem. A idéia era subir a montanha e aproveitar a oportunidade de estar na África para fazer um sáfari.

Outros montanhistas e amigos contribuiam sempre que possível. Ajudas valiosas vieram de inúmeras pessoas. Foram tantas que nem me arrisco a citar seus nomes para não ser injusto ao esquecer de alguém. A verdade é que aos poucos criamos um círculo virtuoso, que ajudava a nos blindar dos comentários das pessoas que julgavam nossa idéia uma loucura.

O legal desses planejamentos é que você cria uma meta e batalha para chegar nessa meta. Na verdade, criamos várias pequenas metas, e conforme íamos vencendo essas etapas, ganhávamos força e ainda mais vontade.

Às vésperas da viagem, todo o nosso trabalho foi coroado com a divulgação na TV da nossa viagem. Uma reportagem de uns 3 minutos foi veiculada em todo o estado.

O fato é que esses dois anos se passaram e vencemos a primeira grande batalha: íamos embarcar para a África. Batalhamos por dois anos e conseguimos realizar uma idéia - extravagante para alguns, louca para outros – com muita força de vontade. Cada integrante da equipe contribuiu muito para o sucesso dela: o Marcelo com as suas idéias e sua animação contagiante, o Gilmar com o seu pragmatismo e controle e eu com a minha meticulosidade, que chega a ser chatice. ;)

O recado que queria passar com esse texto é que se você realmente quiser algo, tem que perseverar e acreditar para conseguir.

No meu próximo post, o segundo de três sobre o Kilimanjaro, vou falar dos nossos dias na montanha.

Até breve!

4 comentários:

Daniele disse...

Putz, admirável. Não passava pela minha cabeça as metas e obstáculos da equipe para a realização de um sonho nessa categoria.
Muito legal vc expor isso, assim contribui com idéias, ajudando aqueles que nunca se aventuraram num projeto desses, além de (pelas minúcias) aguçar a curiosidade de outras pessoas que ao final da leitura se sentiram fascinadas como eu.
Pra vcs eu tiro o chapéu.
Beijão

Dani

Alex Calderaro disse...

Ola' Fabio,
Muito legal a viagem ao Kili e principalmente a nossa vontade de perseguir um objetivo ate' consegui-lo.
Eu gosto bastante de trekking, mas nao sou alpinista, e o Kilimanjaro, por saber que nao tem a necessidade de 'escaladas' sempre esteve em minha cabeça.
Eu gostaria de entrar em contato para algumas informçoes sobre a trilha.
No fundo a minha pergunta essencial é se tem partes expostas ou de dificuldades como ter que usar cordas, 'escalaminhar', etc...
Eu me considero com uma boa resistencia, mas quando se trata de altura nao confio muito na minha capacidade de força ou equilibrio nos 'braços', e assim tenho um certo medo desse tipo de situaçao.
Desde ja' agradeço a tua atençao,
Se puder me deixar um comentario no meu blog te agradeço
Abraços
Alexandre

Luiz Guilherme disse...

Adimirável esta expedição. gostaria de saber mais informações sobre a trilha!

Fabio Fliess disse...

Salve Luiz Guilherme!
Tudo bem????
Que bom que gostou do texto. Mande um email para o blog (naturezaadentro@gmail.com) com as suas dúvidas, que nós teremos o prazer de te passar mais detalhes sobre a expedição.
Continue nos acompanhando!!! Já viu que temos uma promoção rolando no blog???
Abraços.