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domingo, 27 de julho de 2014

Travessia Petrópolis-Teresópolis, por Rafael Guerra

Na portaria do Parnaso, no Vale do Bonfim.
Da esquerda para a direita: Jonathas Scott; Alexandre Mendes; Lidiane Araújo; Rodrigo França; Ana Paola; Michelle Soares; Daniel dos Santos; Helene Moretti e Daniela Lima. 
Foto de Michelle Soares.

Eu já estava há algum tempo com vontade de organizar uma excursão com a turma aqui de Jacarepaguá e quando o Alexandre Mendes me falou sobre a ideia de agitarmos uma travessia, eu me animei e topei na hora.
Formamos um grupo de 10 pessoas principalmente com a turma d’O Muro, nossa associação de escaladores e amigos. Infelizmente nem todos que quiseram embarcar nessa trip conseguiram nos acompanhar devido à lotação nos campings e abrigos do PARNASO. Coisa de alta temporada...

Aproveitamos um feriado municipal inesperado, decretado aqui no Rio na 6ª feira (04/07), devido à um jogo da Copa do Mundo no Maracanã. Às 6 da manhã nos encontramos em Jacarepaguá, e logo a van do Júnior chegou para nos levar até a portaria do parque no Vale do Bonfim. Após uma viagem rápida chegamos pouco depois das 8 horas e fizemos o “check in”, aproveitamos para os últimos ajustes nas mochilas e partimos sem pressa. Na verdade, acabamos demorando muito e saímos tarde... quase 9h30.
Vale do Bonfim. Em direção à bifurcação para o Véu da noiva.
Foto de Rodrigo França.
Seguimos devagar e quase sem parar até a Pedra do Queijo, onde fizemos algumas fotos e comemos rapidamente. Depois disso, uma nova parada, no Ajax, para reabastecermos os cantis e (mais uma vez) o estômago.
Fomos subindo sem pressa a exigente Isabeloca, contemplando as montanhas da região. O dia estava muito bonito e o Chapadão, impressionante como sempre. A vontade que me dá sempre que  chego naquele ponto é ficar relaxando ao som do vento e curtindo o visual dos campos de altitude. Acho que é um dos meus lugares preferidos.
Jonathas Scott e Rodrigo França na Pedra do Queijo.
Foto de Rodrigo França.
Chegamos no Açú às 14h30 com a bela recepção do Amilton e montamos as barracas no camping próximo ao Abrigo. O Jonathas foi sagaz e tomou o cuidado de reservar o banho da turma toda assim que chegamos. Isso agilizou muito. Depois dos banhos, nos reunimos numa pedra próxima ao acampamento e preparamos o jantar enquanto conversávamos e ouvíamos Brasil x Colômbia pelo celular da Ana Paola.
Satisfeitos com o placar do jogo e bem alimentados, fomos dormir às 8h40.
Às 5 da matina levantamos eu, Rodrigo, Daniel, Daniela e Helene e fomos para o mirante, ver o Sol nascer.
Nascer do Sol no Açú.
Foto de Rafael Guerra.
Retornamos ao acampamento às 6h30 para um rápido café da manhã e começamos a andar às 7h30. Como a minha última travessia havia sido há 3 anos, algumas partes haviam mudado, mas nada demais. Na verdade fiquei com a impressão que a trilha está muito melhor sinalizada!
Quase chegando no Elevador, a Lidiane enfiou o pé em um buraco e bateu forte com o joelho numa pedra. Ficamos preocupados e de olho, mas ela continuou andando bem.
Às 12h15 chegamos no Vale das Antas e fizemos um lanche de 15 minutos. Menos de uma hora depois, estávamos no Vale dos 7 Ecos.
A turminha reunida no Dinossauro.
Foto de Michele Soares.
No Dinossauro, com a Bandeira!
Foto de Michele Soares.
Cansado depois da longa caminhada, foi subindo o Sino em direção ao Cavalinho. O cavalinho é sempre um lance que requer uma atenção maior com o grupo, mas todos mandaram bem e conseguimos passar todo mundo em cravados 15 minutos!
Chegamos no Abrigo às 14h40. O tempo passa rápido quando a gente se diverte e a impressão que eu tenho é que após montarmos as barracas e tomarmos banho já havia começado a escurecer. Nós estendemos os isolantes térmicos na grama e fizemos um jantar coletivo, que mais parecia um rodízio de petiscos!
Como dormimos cedo, às 6 da manhã já estavam todos acordados. Ventava moderadamente e havia um pouco de neblina cobrindo o cume, mesmo assim resolvemos subir, já que parte do pessoal ainda não conhecia o cume do Sino. Lá em cima o vento estava mais forte e garoava um pouco. Ficamos só alguns minutos para umas fotos e voltamos para o camping.
Partimos para Teresópolis às 9h30, após o  café, e às 12h15 todo o grupo já estava reunido na barragem. Como havíamos marcado o resgate para as 14 horas, após uma sessão de alongamento comandada pela Ana Paola, descemos a pé e paramos em um bar quase em frente à portaria de Teresópolis. Algumas cervejas e sardinhas fritas depois a van chegou e retornamos satisfeitos para o Rio.
Impressão totalmente positiva sobre a caminhada e sobre a companhia. Até a próxima!

Descanso na Pedra da Baleia.
Foto de Rafael Guerra.
Jonathas no relax.
Foto de Rodrigo França.
Helene Moretti, Michelle Soares, Daniel dos Santos, Jonathas Scott e Rodrigo França no cume do Açú.
Foto de Rodrigo França.
Nosso jantar no Açú.
Foto de Rodrigo França.







domingo, 27 de junho de 2010

Pedra do Cone, por Rafael Guerra



A Pedra do Cone é uma bonita montanha de 1.342m de altitude, com o formato que lhe deu o nome. É localizada em Petrópolis – RJ, no início do Vale do Bonfim. Bem antes, mas no caminho para a portaria do PNSO

Por caminhada, a característica mais forte da ascensão ao cume dessa montanha é uma trilha por mata, seguida de uma exigente “escalaminhada” em laje de pedra até quase o cume.

O dia da aventura foi 02 de maio. O grupo foi formado por mim, Fábio, Iza, Gilmar, Ale, Evandro e Estela. Nos encontramos bem cedo no centro de Petrópolis e rumamos em dois carros pela Estrada União e Indústria na direção de Correias. Passamos pela pracinha de Correias e seguimos rumo ao bairro Pinheiral, como se fossemos para o PNSO. A Pedra do Cone logo apareceu à nossa frente, parecendo um cartão postal...

Quando ela já estava ficando para trás, logo após passarmos pela ponte que atravessa o Rio Bonfim, estacionamos os carros em um larguinho. O início da caminhada começou ali mesmo, às 8h30, subindo uma ladeira calçada com pedras, com a Pedra do Cone à nossa esquerda. Fomos passando por algumas casas e plantações para então começarmos a caminhar na mata, subindo em direção à uma crista que nos levaria até a base do paredão. Uma coisa que notei enquanto estávamos caminhando é que essa trilha parece ser bem traiçoeira. As árvores dessa mata tem um espaçamento razoável umas das outras e na época em que fomos, as folhas caídas formavam uma espécie de “tapete” no chão, escondendo a calha da trilha. Apesar de bem marcada, acredito que não seja muito difícil uma pessoa pouco experiente ou distraída, passar reto em uma curva e acabar se perdendo. O fato é que haviam dezenas de fitas cor de rosa amarradas nas árvores, indicando o caminho certo, o que denuncia uma preocupação grande do pessoal que mora por ali com pessoas se perdendo por aquelas bandas.

Em aproximadamente 30 minutos de trilha encontrarmos uma cerca. Viramos à direita, seguindo a cerca sem atravessá-la por mais 10 minutos até chegarmos na base do paredão do Cone. Ali começou a “escalaminhada”. Fomos subindo por um bom tempo “em aderência” e aproveitando a ajuda dos platozinhos de vegetação até chegarmos em uma parte em que a inclinação cedeu um pouco. Nesse momento começou a pior parte da caminhada em termos de orientação: Foi preciso ir avançando de laje em laje de pedra, procurando as quase escondidas trilhas que servem de conexão de uma para outra. Esse processo continuou até entrarmos na mata novamente (nesse momento amarrei um saquinho, como marcação até a nossa passagem de volta, em um galho alto). Continuamos subindo, seguindo para o cume em meio à uma vegetação formada por arbustos altos, que atrapalhou bastante a localização da trilha.

Às 10 horas estávamos no cume! De onde tiramos algumas fotos e logo descemos porque a neblina já começava a ameaçar.

Uma caminhada altamente recomendável. Porém, é indispensável ir acompanhado por um guia ou um montanhista experiente e usar a máxima atenção, principalmente na subida do paredão (para não cair nem derrubar os platozinhos) e no trecho final para o cume, onde é fácil demais se desorientar.

Até a próxima!


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cobiçado, por Fábio Fliess



Depois de um longo e tenebroso “inverno”, com quase dois meses onde os finais de semana chuvosos nos obrigaram a ficar em casa sem caminhar, conseguimos marcar uma trilha. Eu, Rafael, Gilmar e Evandro aproveitamos a “brecha” no tempo, e fomos para o Cobiçado, uma linda montanha que domina a região do Caxambu e é ponto de partida para uma das mais bonitas travessias da região: a Cobiçado X Ventania. O Cobiçado, desde sempre, é uma das minhas montanhas preferidas para caminhar.
Para quem deseja fazer essa caminhada, é preciso chegar na Igreja de Nossa Senhora da Penha, que fica na localidade de Três Pedras, no bairro do Caxambu. Quem for de ônibus, pode pegar a linha 470 no terminal do Centro e pedir para descer nessa Igreja. Do contrário, o ônibus segue direto até Santa Isabel. Nós fomos de carro, e chegamos na igreja por volta das 8h20 da manhã, com o sol ainda tímido.
Dessa igreja deve-se pegar uma estrada com calçamento de pedras, que fica cada vez mais íngrime conforme subimos. O objetivo é chegar no final do vale, onde os bairros do Caxambu e do Morin - na localidade do Pedro Ivo – se encontram. Cumprimos esse trecho em 20 minutos de caminhada moderada.
Quase no final do vale, ao lado de uma casa, devemos virar à esquerda. A partir desse ponto, a estrada é de terra e sobe mais suavemente. O visual é incrível, e podemos ver a Tapera ao nosso lado esquerdo, o Mãe d’Água e o Alcobaça à frente e depois de algumas curvas, podemos ver também o lindo cume do Cobiçado.
Essa estrada passa por um ponto de água onde é recomendável abastecer os cantis. Voltando a caminhar, passamos por algumas araucárias. Mais um pouco e a estrada vai se aproximando de plantações. É hora de abandonar a estrada, pegando uma trilha indefinida à esquerda. É normal a impressão de estarmos na trilha errada, mas logo a trilha reaparece, bem marcada.
Depois de um trecho aberto, a trilha entra num curto trecho de mata, e vai ladeando uma “vala”. Logo voltamos a caminhar num trecho aberto, onde o caminho vira um zigue-zague. Depois desse trecho é preciso ter atenção, pois a trilha para o Cobiçado “quebra” para a esquerda, começando num pequeno degrau, meio escondido, virando em seguida para a direita e começando a subir. Já vi muitas pessoas errando nesse trecho e seguindo em frente.
Desse ponto em diante temos um desnível de aproximadamente 350 metros, que podemos dividir em duas partes.
Na primeira parte, a trilha tem algumas variantes, mas nada que cause dúvidas. É só seguir a trilha mais definida. Depois de uns 15 ou 20 minutos, a trilha volta a subir mais forte e podemos avistar um platô com pedras e árvores. Esse ponto marca o início da segunda parte da subida, e é um ótimo lugar para descansar e recuperar o fôlego para o trecho final. Esperamos a turma toda se reunir nesse ponto.
O cume do Cobiçado já está bem próximo, mas a subida final é para tirar o fôlego. O Gilmar tomou a dianteira, seguido por mim, Rafael e Evandro. Mesmo estando com um bom preparo físico, é bom não subestimar essa subida. Eu procuro fazê-la com passos curtos e ritmados. Mesmo assim, dessa vez todos nós tivemos que fazer uma ou mais pausas para chegar no cume.

Depois de contornar um cume falso, a trilha volta a subir forte e ficar mais erodida. Esse trecho é muito bonito. E a chegada ao cume é muito legal, pois a primeira visão que temos é da Baía de Guanabara. E também vemos praticamente toda a cidade de Petrópolis de cima. Da igreja até o cume, levamos cerca de 1 hora e 50 minutos, um tempo razoável.
Depois de descansar e lanchar, começamos a tirar algumas fotos. Porém, o tempo começou a fechar com rapidez, e as nuvens envolveram o cume. Resolvemos descer depressa.
Assim chegamos na estrada com calçamento de pedras, a chuva chegou. Para nossa sorte ela deu uma rápida trégua, suficiente para chegarmos no carro. Não demorou muito, e o clima fechou de vez, com muita neblina e a chuva fininha, tradicional de Petrópolis.
Mesmo com o tempo tenebroso, estávamos todos felizes. Conseguimos fazer mais uma trilha, em uma montanha muito especial. Altamente recomendável!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Pedra do Retiro, por Rafael Guerra


Depois do nosso retorno dos Andes ficamos um bom tempo afastados das caminhadas por causa das chuvas do final de agosto. Enfim, no último domingo do mês, eu e o Fábio decidimos arriscar uma caminhada apesar do tempo instável. A sugestão do Fábio, aceita imediatamente por mim, foi subirmos a Pedra do Retiro.

A Pedra do Retiro, fotografada do bairro do retiro.

A Pedra do Retiro (1.541m), o Seio de Vênus (1.480m) e a Serra Negra (1.546m) fazem parte do Conjunto do Retiro. Um grupo de montanhas situado em Petrópolis, em uma região central entre a Serra dos Órgãos e a Serra das Araras. Por este motivo oferece uma vista privilegiada da cidade e da maior parte das montanhas da região.

Como era importante chegar cedo em Petrópolis eu, que moro no Rio de Janeiro, precisei madrugar e peguei a estrada antes mesmo do sol nascer. Enquanto dirigia aguardava que a claridade do dia acabasse com o suspense em relação ao clima.

Em segundo plano, o Conjunto do Retiro. Com a Pedra do Retiro

à esquerda, a Serra Negra ao centro e o Seio de Vênus à direita.

Me encontrei com o Fábio às 7h15 e após um rápido café, rumamos para o bairro Mosela onde fica o início da trilha. O tempo estava fechado às 8h quando começamos a caminhada. Entramos na mata e começamos a difícil subida por um barranco úmido e escorregadio. O Fábio foi guiando e eu fazia o máximo para acompanhá-lo até que, depois de uns 15 minutos, chegamos em uma área aberta e aproveitamos para descansar um pouco.

Não era a minha primeira vez na Pedra do Retiro mas eu havia esquecido como a trilha era íngreme. Outra coisa que notei foi a proliferação de bifurcações, que podem facilmente confundir quem não conhece bem o caminho.

Continuamos subindo pela crista e a mata foi cedendo lugar a uma vegetação mais arbustiva, que nos permitiu ver a paisagem pela primeira vez. Pasmei! A manhã feia e nublada havia se transformado em um belíssimo dia de sol, contrastando com uma fina camada de neblina que pairava sobre o vale. As câmeras trabalharam muito.

Um pouco mais acima tivemos que ultrapassar uma grande pedra, que não requer conhecimento em escalada ou equipamentos especiais para ser superada.

No total, gastamos pouco mais de uma hora caminhando em ritmo forte para vencermos o desnível de 446m e chegarmos até o cume, que é bastante espaçoso e tem bons locais para acampamento para quem tiver disposição de carregar água até lá. Acredito que seja uma boa pedida pernoitar por lá para aproveitar o nascer do sol. Quem sabe uma próxima vez?

Fábio e eu no cume da Pedra do Retiro. Em um daqueles dias em
que eu costumo dizer: "Ainda bem que eu não fiquei em casa dormindo".

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pedra do Cantagalo, por Rafael Guerra

A Pedra do Cantagalo, vista do ponto inicial da caminhada

Após três adiamentos, no domingo de 21 de Junho eu e o Fábio encaramos a trilha para a Pedra do Cantagalo, imponente montanha com 1.788 metros de altitude situada entre Petrópolis e Teresópolis no Rio de Janeiro.

Após nos encontrarmos para o café da manhã na rua do Imperador, partimos no meu carro às 7h30m para a região conhecida como Cuiabá, onde chegamos às 8h19m. Deixamos o carro ao lado de um estábulo e seguimos pela estrada da Tapera, tendo como paisagem à nossa esquerda a imponente montanha que lembra o Pão de Açúcar, do Rio de Janeiro. Andamos por quase 40 minutos subindo a íngreme estradinha sem pavimentação até chegarmos em uma comunidade quilombola chamada de Tapera. Fiquei impressionado ao ver como aquele pessoal, morando tão próximo à cidade, praticamente "nos fundos" de um condomínio de luxo, vive de maneira tão rústica. Talvez pelas péssimas condições da estrada e da falta de energia elétrica, entre outros (e mais óbvios) motivos.
Parece que, dependendo do interesse, 120 anos é pouco tempo para se resolver certos assuntos.





Após uma breve pausa e de sermos orientados por uma pequena e simpática moradora do local, seguimos em frente passando por trás de um campinho de futebol bem castigado, evitando pegar às trilhas da direita e da esquerda, que vão em direção às casas. Em pouco tempo começamos uma subida e, após uns 10 minutos, encontramos um riacho cortando a trilha. Depois desse ponto encaramos uma das piores subidas do ano: 300 metros de desnível, que nem faço idéia de quanto tempo levamos para superar. Parecia ter mais de 45° de inclinação e o meu consolo enquanto estávamos subindo era pensar que aquela seria a parte mais difícil da caminhada. Mas eu estava enganado, porque o pior ainda esperava por nós.

A Pedra do Carneiro, visível durante a maior parte da caminhada.


Segundo o mapa que estávamos acompanhando, após vencermos os 300 metros de desnível encontraríamos duas torres de alta tensão em um trecho nivelado. Entre estas duas torres veríamos a trilha avançando à esquerda por dentro da mata. Neste ponto ocorreu a primeira desorientação do dia. Por ser início de temporada e a trilha ter ficado sem utilização por vários meses, o mato cresceu e foi muito difícil acharmos a entrada. Quando conseguimos, o bambuzal que deveríamos atravessar estava todo arriado no chão, impedindo a passagem.

Após muita investigação e conversa decidimos contornar o bambuzal pela direita para tentarmos reencontrar a trilha mais a frente. Conseguimos. Avançamos por mais alguns metros e paramos em uma bifurcação tomada pelo mato.



Foi mérito do Fábio descobrir que, na verdade, aquilo não era uma bifurcação, e sim o início estreito da crista do Cantagalo. Seguimos subindo em frente, bem pelo meio da suposta bifurcação e, nesse momento, o Fábio começou a fazer uso do facão. Continuamos subindo com dificuldade, revezando o uso do facão (sempre que o "mateiro" permitia) por toda a extensa crista. Quanto mais subíamos, mais desanimadora ficava a situação. As vezes ficávamos sem andar, batendo facão por mais de um minuto até conseguirmos dar um ou dois passos. Sem dúvida foi muito sacrificante.

No final da subida da longa crista o mato já não estava tão alto.

Foi assim até chegarmos ao cume, precisamente às 12h20m, após quase 4 horas de uma caminhada que poderíamos ter feito em menos de 3 horas se a condição da trilha não estivesse tão ruim.

O que "salvou o dia" foi a vista a partir do cume. Por sua localização privilegiada, bem centralizada na região, entre a Serra do Taquaril, Serra das Araras, o Conjunto do Retiro e a Serra dos Órgãos, a Pedra do Cantagalo proporciona uma vista muito ampla da região. De lá é possível avistar a cidade de Teresópolis e toda a extensão do chapadão do Açú. Olhando mais além, eu consegui visualizar até os Três Picos de Friburgo!


Nesta caminhada passamos por algumas situações bem complicadas, o que nos levou a classificá-la como a mais difícil deste ano. Combinamos que nem tão cedo iremos encarar outra trilha fechada. Chega de facão, por enquanto. :)

Até a próxima aventura!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Jacuba Maior, por Fábio Fliess

A idéia para o feriadão de Corpus Christi era o nosso grupo fazer a travessia da Serra Fina, localizada na tríplice divisa do RJ, SP e MG. Com a proximidade do grande trekking em Huayhuash (Peru), estávamos precisando fazer trilhas mais exigentes.

Mas infelizmente, São Pedro não nos ajudou e mandou água de quinta a sábado. Felizmente, ele se arrependeu e nos brindou com um domingo praticamente perfeito para uma bela caminhada. A trilha escolhida para esse dia foi uma caminhada semi pesada: a Jacuba Maior (1460m), localizada na região da Posse, distrito de Petrópolis. Entre os moradores da região, também é conhecida como a Pedra do Elefante.


Jacuba Maior e Menor

As 7:20 da manhã já estávamos no nosso ponto de encontro, no Bingen. Dessa vez, estávamos em 7 pessoas: eu, Gilmar, Alê, Rafael, Iza, Marcelo e Bruna. Pegamos estrada e às 8:15 já estávamos na entrada do Circuito Turístico Pedras do Taquaril, estrada que dá acesso às trilhas. Para quem está indo em direção à Posse, é a primeira entrada à direita depois do “Cachoeira's Bar”. Lá procuramos a casa do Sr. Waldyr, por onde entraríamos para iniciar a trilha. Para nossa surpresa, a esposa do Sr. Waldyr conhecia a mãe da Iza. Coisas de cidade pequena!! ;)

O acesso para a Jacuba Maior pode ser feito de duas formas: diretamente através da sua crista, com uma travessia ao lado de seu costão, ou subindo sua irmã, a Jacuba Menor (1380m), mas essa última seria uma caminhada bem íngrime e nos obrigaria a um rapel no colo entre as duas montanhas. Optamos pelo caminho tradicional, muito bonito.

Começamos a trilha, bem marcada no início, por volta das 8:30. Quem for fazer essa trilha, tem que ficar atento para manter as porteiras fechadas, pois do contrário os animais da propriedade acabam fugindo. Depois de passarmos por uma cocheira abandonada, seguimos subindo e entramos na mata. Mas logo a frente o caminho estava obstruído por cercas de arame farpado. Acabamos optando por voltar um pouco, e pegar uma trilha alternativa até encontrar com a trilha original, já na crista da montanha. Isso acabou nos custando um bocado de tempo.

Mas assim que chegamos na crista, a orientação ficou bem mais fácil, e mesmo com a trilha fechada por ser pouco freqüentada, avançamos bem rápido. Com cerca de 1:30hs de caminhada, chegamos em um bonito mirante no meio da crista da montanha. Desse ponto, tínhamos um visual incrível das duas Jacubas, bem a nossa frente e também da travessia que teríamos que fazer.

Após uma rápida pausa, para descanso e um rápido lanche, seguimos subindo a crista. Nosso objetivo era chegar na encosta do paredão da Jacuba Maior. Nesse ponto, a trilha começa a tender para a direita, iniciando uma bonita travessia encravada entre a encosta rochosa da Jacuba Maior e um abismo. O grupo seguia bem rápido, mesmo com as eventuais paradas para as fotos. Ao final dessa travessia, encontramos lajes de pedra que indicavam que deveríamos começar a subir a encosta da montanha, rumo ao cume. A proximidade da Jacuba Menor também nos indicava isso.

Travessia da Jacuba, com o abismo a direita

Exatamente nessa hora, o tempo, que estava bonito até então, resolveu nos pregar uma peça. Uma cerração começou a baixar sobre aquela parte da montanha, dificultando nossa visibilidade. Por sorte, haviam muitos totens marcando o caminho até o cume. Além dessas dificuldades, esse trecho final se mostrava um grande teste para as nossas pernas já cansadas, pois é uma subida bem forte.

As 11:30, depois de cerca de 3 horas de caminhada, chegamos ao cume da Jacuba Maior. Ali, encontramos um enorme totem demarcando o ponto mais alto da montanha. Fizemos uma pausa mais longa para descansar e comer algo, além de tirar as tradicionais fotos de cume. Aproveitamos também para deixar uma mensagem no “livro de cume” existente nesse montanha – na verdade, era uma garrafa “pet” cheia de mensagens, escondida debaixo de outro totem de pedras.

A galera reunida no cume da Jacuba Maior


Agora faltava a longa caminhada de volta, e dessa vez, o tempo nos ajudou. Assim que estávamos deixando o cume, o sol abriu. Pudemos ver, ali perto, o imponente Taquaril, que com seus 1869m de altitude é a maior montanha da região. O tempo bom ajudou no nosso retorno. Caminhar sobre lajes de pedra é um grande exercício de orientação. É fundamental vez por outra, identificar pontos de referência durante a trilha.

A nota triste dessa caminhada, foi o fato da Iza ter torcido o tornozelo durante a descida da crista. Felizmente, ela não quebrou nada, e pode terminar a trilha andando.

As 14:45hs já estávamos de volta ao ponto onde deixamos os carros e fizemos uma rápida parada em um bar próximo para comemorarmos com uma cerveja gelada. Todos foram unânimes em eleger essa trilha como uma das mais interessantes que fizemos nos últimos tempos, pelo visual e também pela alternância do terreno por onde passamos.

Até a próxima!!!

sábado, 13 de junho de 2009

Pedra do Juriti, por Rafael Guerra

Após quase um mês sem caminhadas, fui conhecer a Pedra do Juriti na companhia de Antônio, Iza, Marcelo Melo, Fábio, Gilmar, Alessandra e das convidadas do grupo, Gláucia e Neide.

A Pedra do Juriti é uma montanha de 1.513m situada em Petrópolis, numa bonita região rural chamada de Brejal. Fica longe... bem depois de Itaipava.

Fomos em três carros e os deixamos em frente à uma porteira, no início de uma estradinha de barro com o curioso nome de Estrada do Passa Pouco, que deveríamos seguir para chegarmos ao início da trilha. Logo assim que chegamos recebi a primeira surpresa do dia: eu havia manobrado e estacionado o carro em cima de um monte de esterco fresco... argh! Isso serviu de alerta para eu não esquecer de lavar o carro e também para o fato de que, provavelmente, teríamos carrapatos como companheiros durante (e depois) da caminhada. Porque onde há esterco, há gado. E onde há gado, geralmente há carrapatos.

Seguimos a tal estradinha por uns 15 minutos, imaginando estarmos seguindo corretamente as indicações do texto do guia que estávamos acompanhando, pegamos a trilha errada e a seguimos por uns 10 minutos até que nos demos conta do engano e voltamos para continuarmos o caminho correto. O interessante é que quando encontramos a trilha correta, tive a impressão de que ela era mais fácil de encontrar do que a que escolhemos inicialmente. Vai entender porque passamos direto...


A subida pela primeira crista.

Estávamos a 1.045 m de altitude quando iniciamos uma subida leve. Caminhamos por uns 300m em meio a um mato baixo, por uma trilha quase inexistente. No final dessa primeira subida chegamos num platô de onde foi possível avisar uma extensa e estreita crista que terminava em uma forte subida em direção ao primeiro "cume falso". Resolvi ficar parado por ali, de longe, filmando a subida da turma e curtindo um pouco aquele momento sozinho. Assim que os primeiros amigos chegaram no alto da elevação, desliguei a filmadora, recolhi o tripé e caminhei em um ritmo forte para tentar alcançá-los logo. Parei para ganhar fôlego na metade da subida, onde me reuni com a Gláucia, o Marcelo Melo e a Neide. Fomos subindo juntos a partir daquele ponto.


Segundo cume falso.



Alessandra abrindo caminho pela segunda crista.

Após o cume falso há uma segunda crista, ainda mais estreita que a primeira. Foi nesse ponto que a Alessandra se revelou uma verdadeira "mateira". A trilha estava bem fechada por arbustos e a passagem estava impedida até que ela, armada com o meu facão, praticamente abriu uma avenida para todos passarem. A caminhada por essa crista termina em uma laje de pedra, já na subida para o cume. Dali para o cume são menos de 10 minutos de subida "escalaminhando" pela rocha. Do alto da Pedra do Juriti pudemos comtemplar toda a beleza da região, com destaque para o Taquaril e para a Jacuba Maior (ou Pedra do Elefante).
Para quem quiser curtir essa caminhada recomendo levar um facão, para abrir caminho pela segunda crista e muita atenção com os restos de cercas e arame farpado que podem ser encontrados pelo caminho.
Até a próxima!

Começando do alto, da esquerda para a direita. Marcelo Melo, Antônio, Fábio, eu, Iza, Alessandra e Gilmar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A Pedra da Cuca, por Rafael Guerra

Quem não se lembra da pavorosa Cuca? Personagem criada por Monteiro Lobato para o Sitio do Picapau Amarelo.
Bem, no domingo de 05 de abril eu, Vitor, Fábio, Isa e Alessandra fomos à Pedra da Cuca, que não se trata do reduto ou toca dessa criatura que tanto assustava as crianças da minha geração. Na verdade, a Pedra da Cuca é uma bonita formação rochosa no alto de uma montanha em uma região de Petrópolis conhecida como Vale das Videiras. Mesmo lugar onde ficam localizadas as montanhas Pedra da Índia e Palmares, entre outras, além das cachoeiras Sete Quedas e Cascata da Ponte Funda.
A Pedra da Cuca leva este nome por causa da sua semelhança com o famoso jacaré. Em minha opinião, reparando bem, até que parece mesmo.

A Pedra da Cuca

Após deixarmos os carros próximos à estrada das Araras entramos em uma trilha usada pelos moradores para o acesso a algumas casas daquela área. Seguimos por pouco tempo beirando uma cerca até uma pequena horta muito bem defendida por uns cães nada amistosos que tentaram me afastar se impondo com seus latidos. Para a minha sorte, o dono do pedaço, um senhor muito simpático que cometi o deslize de não perguntar o nome, deu a ordem de "cessar-fogo" aos vira-latas. Ele insistiu inclusive para que eu passasse por um caminho no meio da horta e comentou que havia feito uma limpeza na trilha e que nós aproveitaríamos bastante. De fato, em vários pontos da trilha eu vi sinais de que um facão havia trabalhado por ali.
Após este rápido contato, seguimos pela bem cuidada trilha por dentro da mata, ziguezagueando por mais de uma hora em uma subida muito cansativa até uma grande pedra que marcava o inicio da crista da montanha.
Neste momento aconteceu um fato digno de menção por seu exemplo: O Vitor, que estava há mais de um ano afastado das caminhadas e de qualquer outra atividade física, provavelmente se lembrando que o cume da montanha é somente a metade do caminho, decidiu ficar nos esperando naquele ponto. Esta iniciativa foi muito importante e serve de exemplo para quem não tem experiência e deseja começar a excursionar pela natureza. Com isso, o experiente amigo trekker pôde ter evitado uma lesão ou mesmo um acidente.
Enquanto nosso amigo se distraia tirando fotos, seguimos o nosso caminho pelos mais de 2 km da crista até o início de uma forte subida com 3 cumes falsos. No final desta subida, já na base do cume verdadeiro, percebemos que o caminho não seguia em linha reta até o final. Foi necessário contornar o cume pelo seu lado esquerdo, passando próximo a um minúsculo córrego sobre uma laje de pedra. Após caminharmos mais um pouco, encontramos um abrigo bem bacana sob a rocha. Ao lado deste abrigo estava o último 'desafio' da caminhada, que foi subir os, cerca de, 2m de uma encosta rochosa e exposta, a uns 20m do cume. Há algumas agarras na pedra que deram um bom apoio para esta tarefa.

O visual do alto da Pedra da Cuca, com seus 1701m de altitude, é dos mais bonitos. Com o Vale das Videiras á esquerda, a comprida crista da montanha ao centro e, à esquerda, a região de Miguel Pereira, que me lembra muito uma típica paisagem mineira vista do alto — como uma espécie de "mar de pequenos morros", por causa das ondulações no relevo do terreno.

Faz um bom tempo que tenho feito caminhadas pelas bandas de Petrópolis e a impressão que tenho é que esta trilha é uma das mais bem cuidadas de toda a região. Aliás, acho que é uma das mais bem cuidadas das que já passei. O mato é aparado em muitos trechos e há vários totens e algumas fitas amarradas nas árvores para a sinalização do caminho de 4,5km. Sem dúvida um bonito passeio que posso recomendar mesmo para aqueles que não tem muita experiência com trilhas.

Até a próxima!

domingo, 22 de março de 2009

Relatório: Travessia Cuiabá-Brejal por Rafael Guerra

Bonita travessia entre duas regiões situadas na área rural de Petrópolis/Itaipava, feita por mim e Fábio Fliess em Novembro de 2008.










Bela estrada para uma caminhada forçada. Praticamente pavimentada



Uma caminhada de 16km com várias imagens "pitorescas"


Protesto: A brincadeira deve ser boa. Mas o estrago que provoca é lamentável

Bacana mesmo é curtir sem danificar


O porquê desta parte da trilha ser chamada de super bonder.