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sábado, 26 de abril de 2014

Aiuruoca - dia 2, por Rafael Guerra

Domingo 03/03:

Cachoeira do Fundo.
Foto de Fábio Fliess.
Nos reunimos para o café da manhã às 8 horas. Pão francês; pão de queijo; bolo; frutas... Nota dez! Em seguida partimos para o Vale do Matutu. Essa estrada de terra costumava estar muito ruim há alguns anos atrás, mas demos sorte e a encontramos em ótimas condições. Rodamos 17km em 40 minutos até o Casarão onde fica a Associação do Vale do Matutu e a cabeça da trilha e iniciamos a caminhada em direção ao fundo do Vale, rumo à Cachoeira do Fundo.
Casarão do Matutu.
Foto de Fábio Fliess.
A trilha é fácil de acompanhar mas para quem não tem experiência é recomendável a contratação de um guia local. Muito solícitos, costumam ficar próximos ao Casarão para o auxílio aos turistas e não cobram pelo serviço.
Seguimos por conta própria e a única bifurcação da trilha fica logo no início, aos 10 minutos de caminhada. Há uma placa com duas indicações: deve-se seguir a indicação "patrimônio".
Mais ou menos na metade do caminho, nós passamos ao lado da cachoeira do Meio. Muito bonita mas rasa demais para o banho que queríamos. Decidimos tocar direto para a Cachoeira do Fundo e dar passada ali apenas para umas fotos na volta.
Trecho da trilha para a Cachoeira do Fundo.
Foto de Gilmar Oliveira.
Trecho final da trilha.
Foto de Rafael Guerra.
O Vale do Matutu, com o Pico do Papagaio ao centro.
Foto de Fábio Fliess.
Depois de mais 1 hora de caminhada chegamos ao nosso objetivo. Até quem não costuma gostar de água fria (não citarei nomes) entrou na dança. O volume de água da queda garantiu uma boa ducha e muitas brincadeiras.
No final da caminhada do retorno, um pouco antes do Casarão, há o Restaurante da Tia Iraci. Nós pretendíamos almoçar ali mas decidimos retornar para a cidade devido a uma tempestade que estava se formando.


O final da tarde foi muito bem curtido a beira da piscina da pousada, com direto a muita prosa e boa cerveja.
A turma reunida, curtindo o final do dia.
Foto de Gilmar Oliveira.

domingo, 20 de maio de 2012

Pico do Inficionado, por Gilmar Oliveira

Características:
Altitude: 2.068m;
Duração: 4 a 5 horas (ida);
Distância: 11km.
A Caraça.
O Parque Natural do Caraça apresenta muitas atrações e uma grande variedade de atividades de aventura para os praticantes de ecoturismo, trekking e montanhismo. São cachoeiras, trilhas e montanhas que compõem uma parte da paisagem da Serra do Espinhaço que está localizada nos municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, no estado de Minas Gerais, a 120 km de Belo Horizonte. Dizem que a Serra lembra o rosto de um gigante deitado, daí a origem do nome Caraça (grande cara).

Parte plana, no início da trilha.

O Caraça também dá nome ao antigo colégio Caraça, onde importantes personalidades da história brasileira estudaram. O Parque compreende uma área de 11.233 hectares onde convivem ecossistemas da Mata Atlântica e do Cerrado. Nosso grupo já conhecia as trilhas da região quando esteve em outubro de 2007 e percorreu dois roteiros: a Cascatona e o Pico do Sol. Desta vez a idéia do nosso grupo seria tentar subir duas montanhas, sendo uma delas já definida: o Pico do Inficionado. Os picos do Parque Natural do Caraça somente podem ser acessados com a presença de guias registrados pelo próprio parque.
A serra do Caraça é composta por sete picos com variado grau de dificuldade de acesso: Verruguinha (1650), Três Irmãos ou Trindade (1675m), Conceição (1800m), Carapuça (1955m), Canjerana (1890m), Inficionado (2068m) e Pico do Sol (2072m).  

A Caraça e, à direita após a grota,
o Inficionado.

Antes de chegar a Santa Bárbara já havíamos feito contato com João Julio, um dos guias mais antigos do Caraça e que nos levara ao Pico do Sol em 2007. Tudo pronto para mais uma aventura, tratamos de chegar cedo à sede do Parque e rapidamente nos preparamos para iniciar a trilha. Nosso grupo foi composto por mim, Alê, Fábio, Rafael, Iza, Lidiane e o Miguel, de Belo Horizonte. Começamos a caminhar às 9h.

A trilha até o Pico do Inficionado possui 11km de extensão, sendo que apenas os 5 primeiros quilômetros são vencidos com grande facilidade, o que pode ser feito em 1h de caminhada leve, aproximadamente. Pouco à frente chega-se ao último ponto de água e, é importante levar no mínimo dois litros de água para vencer o restante do percurso até o cume, principalmente se o dia estiver muito quente e com sol forte.

A turma no "toca pra cima".

Um longo e forte trecho de subida é alcançado mais adiante, justamente após a trilha se dividir entre o caminho leva ao Pico do Verruguinha (à direita e em frente) e ao Pico do Inficionado (à esquerda). O dia estava perfeito e o sol de rachar, por isso a recomendação de proteção solar intensa e muita hidratação nas trilhas desta região, sempre. O primeiro trecho de subida é o mais difícil e pode ser vencido com aproximadamente 40 mim de muito esforço e algum cuidado nas passagens pela encosta, que não oferece grandes riscos.

Ao final desta subida existe um platô de onde se pode apreciar o belo visual do Parque e das montanhas ao redor. Chegamos a esse local após 2h de trilha, aproximadamente. O tempo total estimado para subir o Inficionado é de 4 a 5 horas (ida), dependendo das condições físicas do caminhante. A seqüência da trilha após o primeiro platô é um pouco mais suave e alterna raros trechos planos e lajes de pedra com inclinação razoável, que permite ao trekker manter um bom ritmo de subida. Nosso guia não estava muito bem devido a uma possível intoxicação alimentar, o que o levou a ter alguma dificuldade para conduzir nosso grupo deste ponto até o cume. 

Trecho em lage de pedra antes da
subida final.

Às 12h avistamos nosso objetivo: o cume do Inficionado, localizado sobre uma rampa de subida forte é um pouco acidentado. Mais trinta minutos de trilha e estaríamos alcançando a base do cume. Após 3 horas e meia de intensa caminhada sob um forte sol, exatamente às 12h30, chegamos ao cume do Inficionado. O visual é fantástico e as fotos comprovam que se trata de um dos lugares mais belos da Serra do Espinhaço em Minas Gerais. O Inficionado é reconhecidamente o Pico mais exigente do Parque Natural do Caraça, devido principalmente aos trechos acidentados e íngremes que compõem boa parte da trilha. Em grau de dificuldade, logo após está o Pico do Sol, apesar de ser um pouco mais alto e possuir uma trilha mais extensa do que o Inficionado.
João Julio (guia), Gilmar, Iza, Fábio, Miguel, Alê, Rafael e Lidiane no Pico do Inficionado.
Permanecemos no cume aproximadamente por 1 hora, tempo suficiente para gravar algumas belas imagens, tirar muitas fotos e comer. Iniciamos a descida pouco antes das 14h e o tempo indicava que chegaríamos antes do entardecer. Como esperado, os trechos iniciais do retorno exigiram muito das articulações de joelhos e tornozelos, devido ao elevado grau de inclinação da trilha. Fábio sofreu uma leve torção de joelho, mas, apesar disso, prosseguiu sem maiores problemas. Vencida a parte mais íngreme da trilha, depois de passar novamente pelo último ponto de água, o retorno foi muito tranqüilo e a única preocupação de todos foi registrar as belas imagens daquele final de tarde. Aproximadamente às 17h30 estávamos de volta ao Santuário do Caraça e a cerveja gelada foi a merecida recompensa por nosso esforço naquele dia.

Mais informações sobre o Parque do  Caraça em: http://www.santuariodocaraca.com.br/inicial.php


sábado, 28 de abril de 2012

Peito de Pombo, por Gilmar Oliveira

Características:
Altitude: 1.400m;
Duração: 3 a 4h (ida);
Distância: 7.100m.

O "Peito do Pombo". A curiosa formação que dá nome à montanha.
Para chegar ao Arraial do Sana, ponto de partida para a escalada do Peito de Pombo, basta pegar a RJ-142, que também é conhecida como estrada Serra-Mar. Esta rodovia liga o distrito de Lumiar (Nova Friburgo) até Casimiro de Abreu. Fique atento porque a sinalização para quem segue no sentido Lumiar x Casimiro de Abreu é precária e o acesso pode passar despercebido. Já no sentido Casimiro de Abreu x Lumiar não há dúvidas. Mais dicas sobre como chegar e referência sobre onde ficar podem ser obtidas através do Portal do Sana (http://www.portaldosana.com.br/).
 
Croqui da trilha

A trilha do Peito de Pombo começa no próprio Arraial do Sana, bastando seguir o caminho em direção às cachoeiras. Há um ponto de controle e registro de visitantes no inicio da trilha. Se levar um GPS calibre para 296m de altitude nesse ponto e prepare-se porque serão mais de mil metros de desnível e cerca de 3h de trekking intenso até atingir o cume da montanha. Procure iniciar a caminhada bem cedo, evitando as temporadas de verão e dias de sol forte, que podem resultar em pancadas de chuva e dificultar o trecho que exige transposição do rio. A extensão total do início da trilha até o cume é de cerca de 7km (ida).

A trilha é muito bem definida em seu início e conta com boa estrutura e vários pontos de coleta de água. Segue sempre sob uma floresta densa e pelo lado direito do rio, com vários pontos de acesso as cachoeiras da região, que são muito procuradas por turistas que visitam o Arraial. Depois de se afastar das cachoeiras, a trilha fica um pouco mais aberta, passa por algumas porteiras que controlam o acesso de fazendas e sítios, de ambos os lados. Procure sempre manter as porteiras fechadas após sua passagem. Durante esse trecho sempre é possível avistar o cume da montanha, olhando para a esquerda, no alto do vale cortado pelo rio. Você notará que a trilha descerá até o fundo desse vale, contornando a base da montanha pela direita, acessando-a por trás. Esse trecho inicial é o trecho mais extenso da trilha, porém, praticamente plano em toda sua extensão.

Vista do Vale do Peito de Pombo, logo após o início da subida, depois da travessia do rio. É possível ver, no centro do vale, a parte da trilha que já ficou para trás.
Fique atento porque serão cerca de 1h30 até chegar ao fundo do vale, onde se deve cruzar o Rio, à esquerda, e seguir por uma trilha que sobe à direita. Este é um ótimo ponto de parada para um lanche e para recarregar as energias. No local existe uma placa indicativa que contém a altitude da montanha (1.400m). Pouco menos de 3 km de distância separam o fundo do vale até o cume, mas, a trilha se torna muito exigente a partir desse ponto. A trilha segue subindo por um pasto com capim e caminho pouco definido. Não se afaste para a esquerda, procure subir o morro contornando sempre em direção à direita, observando como referência um pequeno bambuzal que pode ser avistado na extremidade direita desse morro. Fique atento porque esse trecho é pouco definido. Após ser aproximar do bambuzal deve-se atravessar a cerca e continuar subindo à direita, ainda por um trecho de pasto. Mais à frente haverá outra cerca que também deve ser atravessada. Desse ponto se pode avistar o cume do Peito de Pombo à frente. Aproveite para registrar algumas fotos, porque será o último ponto que se pode avistar o cume.

Eu e o Rafael Guerra, no trecho logo após o bambuzal.
 
 Mais à frente a trilha entra em uma mata fechada e começa a parte mais exigente do trekking. Não existem problemas quanto à orientação, o caminho é muito bem definido a partir desse trecho, mas, muito íngreme e escorregadio até chegar ao cume. Logo após entrar na mata haverá o ultimo ponto de água de fácil acesso. 

O "toca-pra-cima"!!!
Depois disso, ainda há mais um ponto de água, localizado pouco antes do cume, porém, de difícil coleta. Para facilitar a progressão neste trecho de mata é necessário se apoiar em raízes expostas e pequenas árvores. Essa será a sua rotina por cerca de 1h de subida forte, até atingir o cume.  

Ao chegar à Pedra que constitui a base do cume da montanha, procure contorná-la pela direita. Existem cordas fixas para facilitar algumas passagens. Antes de usá-las, é conveniente avaliar o seu estado para evitar surpresas. Também é possível dispensar o uso das cordas e se apoiar nas raízes das árvores. Depois de subir o primeiro cume, avista-se o cume principal, que também possui uma corda fixa para auxiliar o acesso. Embora existam cordas fixas em três trechos, próximos ao cume, não há exposição que coloque o montanhista sob risco de acidentes. Pronto, chega-se ao cume do Peito de Pombo depois de uma jornada de 3h de trilha intensa. 

A pedra que existe no cume só pode ser acessada com o uso de equipamentos de escalada artificial. O visual é incrível e compensa o esforço do montanhista. Aproveite para se re-hidratar, alimentar-se e recuperar as energias para mais três horas de retorno.
 


A turma reunida no final da caminhada.

 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Pico do Glória, por Fábio Fliess

Características:
Altitude: 1900m;

Duração: 2h30 a 4h (ida);

Distância: 5,6km (ida).


O Glória é uma montanha que se destaca no vale do Bonfim


Fazia bastante tempo que pensávamos em subir essa linda montanha, que se destaca no vale do Bonfim e cujos paredões ficam próximos da cachoeira Véu da Noiva. Cerca de um mês depois do nosso retorno da Cordilheira Blanca, aproveitamos um bonito domingo de sol para encarar essa exigente trilha. O grupo era o mesmo da viagem ao Peru: eu, Rafael, Gilmar, Alessandra e Evandro.

Como essa montanha se encontra dentro dos limites do Parque Nacional da Serra dos Orgãos, é preciso pagar e registrar sua entrada na guarita do parque. São cobradas as taxas de entrada (R$ 2 para moradores do entorno ou R$ 10 para os demais) e também de uso de trilha de montanha (R$ 15). Quem chega de carro, pode deixá-lo no estacionamento de uma das pousadas próximas. Quem depende de transporte público, deve usar os ônibus Bonfim (linha 611) ou Pinheiral (linha 616), que saem do terminal de Corrêas. A segunda linha é a ideal, pois deixa o usuário mais próximo da portaria.

Para chegar à montanha usamos inicialmente a mesma trilha do Véu da Noiva, uma das caminhadas mais freqüentadas deste lado do parque. O acesso à trilha do Glória é feito pela parte superior da cachoeira, subindo pelo leito do rio. Foi preciso MUITA atenção nesse trecho, pois a rocha em alguns pontos é lisa como sabão e fica fácil escorregar. Fiquei imaginando como seria essa subida na estação chuvosa.


Começando o trecho no leito do rio


Fomos subindo com calma, por cerca de 20 minutos até um ponto onde fica óbvio que não é possível passar pelo rio. A trilha para o Pico do Glória começa a direita, perto da laje de pedra. O Evandro, que já havia feito essa montanha, nos alertou para o “toca para cima” de 380 metros de desnível e bastante inclinado. Paramos para beber água, comer alguma coisa e tomar fôlego antes de encarar esse trecho.

De fato, a subida é muito puxada e com trechos onde era preciso usar todos os apoios disponíveis. Um desses pontos é um “degrau” com uns 2 metros de altura. Por sorte, haviam troncos para auxiliar na subida. Logo em seguida, a trilha cruza uma laje de pedras por um bom trecho e volta a virar trilha mais acima. Mas ainda restava mais subida!


Dá para notar a inclinação nesse trecho!


Todo o esforço é recompensado quando alcançamos a crista da montanha. Um visual incrível que te faz recuperar o fôlego para o trecho final. Nesse ponto, é recomendável a presença de um montanhista experiente, pois a passagem é bastante exposta e não permite erros.

Uma vez no topo, assinamos o livro de cume e curtimos uma das paisagens mais bonitas de toda a serra.


O visual do vale do Bonfim visto do cume do Glória


Observação importante: recentemente, todas as tarifas do Parque Nacional foram majoradas em 10%.