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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Torres del Paine, por Rafael Guerra

Primeira visão do parque, ainda na estrada, rumo a portaria da Laguna Amarga.
Em 26 de dezembro de 2011, eu, Fábio, Letícia, Gilmar e Alessandra partimos para uma viagem de 14 dias pela Patagônia com o objetivo de fazermos o trekking do circuito (O+W) do famoso Parque Nacional Torres del Paine.
Para chegar até lá, pegamos um voo para Santiago e uma conexão para Punta Arenas, onde chegamos a noite. Ficamos pouco tempo em PA e na tarde do dia seguinte seguimos de ônibus para Puerto Natales, que é a cidade mais próxima ao parque.

A tradicional foto do grupo no início da caminhada.
O local da foto é a portaria da Laguna Amarga, local onde fomos deixados pelo ônibus.
 













Trilha para o camping Seron.
Ficamos apenas um dia em Natales, o suficiente para descansarmos um pouco da viagem e comprarmos mantimentos para o trekking no Supermercado. Partimos de nosso hostel após o almoço, no início da tarde de 28 de dezembro rumo à portaria Laguna Amarga, onde chegamos às 16h30, após duas horas de ônibus e fomos avisados por um guarda-parque que o circuito estava fechado devido a um incêndio e que só poderíamos seguir até o refúgio Grey. Resolvemos iniciar assim mesmo o trekking, acreditando que em 2 ou 3 dias a passagem já estaria liberada. O pior que poderia acontecer seria termos que voltar tudo e isso não seria nenhum esforço absurdo.
Começamos a caminhada por volta das 17h e chegamos no Camping Seron mais ou menos às 23h, junto com o pôr do Sol. O esforço desse dia nos deixou bem cansados e com a certeza de que não deveríamos ter começado a caminhar tão tarde.
Nosso café da manhã no camping.
No dia seguinte, apesar da experiência do dia anterior, acordamos tarde e fizemos questão de fazer tudo bem devagar, sem pressa. Tomamos um café da manhã reforçado e saímos às 13h30 rumo ao camping do Refúgio Dickson. Uma caminhada muito bonita, com as montanhas de um lado e o rio Paine do outro. Cruzamos um passo com vento muito forte e continuamos na trilha, que seguia acompanhando toda a extensão do Lago Paine. Após 2h30 de caminhada, encontramos um pequeno bosque e paramos ali por 50 minutos para o almoço. Depois de mais umas 3 horas de caminhada, paramos novamente para tomar café. Foi muito diferente e legal essa dinâmica de parar pouco e quando parar, em vez de lanchar barrinhas de cereais e outras coisas rápidas, fazer um almoço leve com sopa, macarrão etc.
Visual da trilha para o Refúgio Dickson.
O refúgio Dickson.
Chegamos no Refúgio Dickson umas 21h30 e ventava bastante.
Fomos informados pela guarda do parque que o incêndio havia se intensificado e que o camping Los Perros estava fechado mas que poderíamos fazer um bate-e-volta sem problemas. Como passamos a ter muito tempo disponível, já que não poderíamos fazer o circuito completo, resolvemos tirar o dia seguinte de folga e deixar o bate-e-volta em Los Perros para o dia 31. Nós passaríamos o reveillon no refúgio Dickson e voltaríamos para o acampamento anterior, Serón, no dia primeiro.
Decidimos montar as barracas bem próximas umas das outras para tentar aumentar a resistência contra o vento. A minha barraca foi montada por último com a ajuda do Fábio e da Letícia. Quando terminamos, deu tempo apenas de eu colocar a minha mochila dentro dela e uma rajada de vento mais forte simplesmente a achatou contra o chão, quebrando a estrutura de alumínio e rasgando o cobre-teto!
Acabei conseguindo acomodação no refúgio por $ 10.000. Havia também barracas para alugar por $ 7.000, mas achei que a diferença de preço não fazia isso valer a pena. Acabou sendo uma noite agradável. Fábio, Letícia, Gilmar e Alessandra foram para o refúgio e jantamos sanduíches de carne. Eu bebi umas 4 latinhas de Austral Lager... Gostei muito! Depois que a turma voltou para as barracas eu ainda fiquei bebendo com os outros montanhistas que estavam no refúgio até 1h da manhã.

Quando a gente olhava para as montanhas na direção das Torres, víamos as nuvens coloridas pelas chamas que consumiam a vegetação do parque. Um espetáculo muito triste.
Leticia e Gilmar no Refúgio Dickson enquanto aguardávamos os hambúrgueres.
No dia 30 acordei disposto a não fazer nada além de curtir a folga da caminhada. Afinal, já havíamos andado mais de 36km e as mochilas estavam bem pesadas! Quando saí do refúgio para tomar o café da manhã com os amigos que estavam acampados, fui abordado por um guarda que me disse que o parque estava sendo evacuado e que deveríamos partir também. Os refúgios Los Perros e Serón já estavam fechados e o Dickson seria fechado em breve também. Já podíamos ver a movimentação dos funcionários retirando o material do refúgio.
Nesse momento a minha maior preocupação era arrumar acomodação para dormir quando chegássemos no Serón, já que eu não tinha barraca e também já não poderia contar com a possibilidade de alugar uma barraca do refúgio! As barracas que meus amigos estavam levando eram para uma pessoa, com conforto. Enfiar 3 pessoas numa barraca dessas seria um problema mas parecia a única opção.
Comida também era um problema, já que nos preparamos para comprar parte dos alimentos nos refúgios por onde passaríamos. Conosco, levávamos apenas uma quantidade pequena para emergências.

Arrumamos tudo e saímos de Dickson às 11h. Naquela altura, com o corpo mais acostumado ao exercício, a caminhada parecia mais fácil para todos. Mesmo com uma chuva fina que insistia em cair. A não ser na parte da trilha próxima ao mirador do lago Paine. O vento, que já estava forte no dia anterior, nesse dia parecia estar com o dobro da força. A Alessandra estava caminhando bem a frente do grupo, depois seguíamos eu e Gilmar e bem mais atrás, o Fábio e a Letícia. O vento era tão forte que eu só conseguia seguir muito devagar, de costas para uma pirambeira de 150m que termina no lago e forçando os bastões de caminhada contra a parede de pedra, que se estendia por boa parte do lado direito da trilha. Em um certo momento resolvi arriscar uma caminhada mais rápida de frente para a trilha e o vento me fez subir uns 2m a tal rocha. Quase pirei tentando descer dali antes que o vento desse uma trégua e eu desabasse. Parecia um skatista em um halfpipe. Depois o Fábio me contou que passou pela mesma situação...
Continuei caminhando com muita dificuldade... O barulho do vento era muito alto e a força dele fazia a mochila zunir ao mesmo tempo que eu era praticamente açoitado pelas fivelas da mochila. Posso dizer que entrei na porrada! Em um dado momento passei pelo Gilmar caído no chão. Ele havia se jogado atrás de um arbusto grande para tentar não ser lançado montanha abaixo. Seguimos juntos, caminhamos um pouco mais e finalmente conseguimos sair daquele inferno. Esperamos uns 10 minutos pelo Fábio e pela Letícia. Preocupados, resolvemos tentar voltar para socorrê-los caso fosse necessário. Não conseguimos! Em um determinado ponto de uma curva parecia que havia uma parede de vento.
Ficamos aliviados quando pouco depois os dois apareceram e saíram do vento.
Final de dia no Camping Seron.
Foto de Fábio Fliess.
A Guarderia.
Foto de Gilmar Oliveira.
Chegamos ao camping Seron às 20h45 e era possível avistar a fumaça do incêndio ao longe.
Achei estranho haver gente dentro da Guarderia, já que ela deveria estar fechada. Quando entrei, encontrei uma família de 12 montanhistas chilenos com os quais eu havia feito amizade no dia anterior. Eles estavam fazendo o trekking sem barraca, já que o parque quando não oferece refúgio, dispõem de barracas para alugar. Com a guarderia fechada, eles ficaram "sem teto", na mesma situação que eu, e forçaram uma das portas em busca de abrigo. Sabendo da minha situação, eles pegaram uma das barracas do parque e me emprestaram para que eu passasse aquela noite.
No dia seguinte devolvi a barraca arrumada e limpa. Os chilenos haviam dado uma boa faxina na guarderia e arrumado tudo.
Partimos todos juntos e umas 13h já estávamos na Laguna Amarga esperando pelo ônibus que nos levaria à Puerto Natales.

Apesar de não termos conseguido fazer o circuito completo mais o "W", como havíamos planejado, ficamos bem e posso dizer que valeu a pena.

A tristeza maior ficou por conta de ver tamanho patrimônio sendo queimado pela irresponsabilidade de um idiota que resolveu queimar o papel higiênico usado em vez de enterrá-lo, por exemplo.

Outras fotos que gostamos:
Trilha para o Dikison.
Foto de Fábio Fliess.
Gilmar, Alessandra e eu.
Foto de Fábio Fliess.
Alessandra rumo ao refúgio Dickson.

Final do dia no camping Seron.


domingo, 18 de maio de 2014

Aiuruoca - dias 4 e 5, por Rafael Guerra

Vale do Matutu e

cachoeira dos Garcias

Terça 05/03:

O Casarão do Matutu.
foto de Fábio Fliess.

foto de Fábio Fliess.

O dia amanheceu nublado e decidimos retornar ao Vale do Matutu para conhecemos a Cachoeira das Fadas.
Das cachoeiras que nós conhecemos, essa é a que exige a caminhada mais curta. Em 10 minutos seguindo uma trilha que começa entre o casarão e uma lojinha de artesanato, chega-se ao primeiro poço. Ficamos por lá durante umas 3 horas e seguimos direto para o restaurante da Tia Iraci.
Que experiência! O restaurante é dividido pelas varandas das 3 casas que formam uma pequena comunidade e tudo é muito bem cuidado.
A comida e o atendimento são ótimos. Um daqueles lugares que a gente fica com pena de ir embora.
Imperdível também, é dar uma passada na loja da Associação de Moradores do Matutu para comprar itens da produção local.

Cachoeira das Fadas.
foto de Fábio Fliess.

A turminha se divertindo no poço da Cachoeira das Fadas.
foto de Gilmar Oliveira.


Restaurante Tia Iraci.
foto de Gilmar Oliveira

A turminha reunida para o almoço.
foto de Gilmar Oliveira.

Quarta 06/03:

Cachoeira dos Garcias.
foto de Fábio Fliess.

Para fecharmos o último dia da viagem, resolvemos conhecer a cachoeira dos Garcias.
Seguimos o mesmo caminho que leva ao início da trilha para o Pico do Papagaio e ao restaurante da dona Gilda. Aos 4 km, viramos a direita na primeira bifurcação e, após mais uns 400 metros, viramos a direita novamente na segunda bifurcação. A orientação não é difícil porque as bifurcações são bem sinalizadas.
Continuamos seguindo a estrada morro acima, sempre pela crista da montanha e, mais ou menos após mais uns 5,3 km nos deparamos com uma outra estradinha à esquerda, que é justamente o trecho final. Ali há vários recuos para estacionar o carro. Desde o asfalto o trajeto todo percorre um pouco menos de 10km.
E vale muito a pena, já que a cachoeira dos Garcias é uma das mais bonitas e impressionantes de toda a região.
Quarta-feira foi o dia no qual a água estava mais gelada. Isso garantiu muitas gargalhadas a cada momento que alguém entrava na água...
No retorno da cachoeira, almoçamos mais uma vez no restaurante Três Irmãos e partimos de volta para o Rio de Janeiro.
Aiuruoca é um daqueles lugares que dá pena de deixar para trás. Voltei nesse clima para o Rio, não imaginando que retornaria tão rápido... dessa vez para a Travessia Aiuruoca x Baependi, também chamada de Travessia da Serra do Papagaio. Essa história é imperdível e será contada pelo Fábio Fliess na nossa próxima postagem.

A Cachoeira dos Garcias.
foto de Fábio Fliess.

A Cachoeira dos Garcias.
foto de Fábio Fliess.

Dica:

Restaurante da Tia Iraci

Comida da roça
Preço: livre R$ 28/pessoa ou a lá carte R$ 20.
Localização: Vale do Matutu. Após deixar o carro no Casarão do Matutu, seguir pela trilha em direção à cachoeira do Fundo e dobrar à esquerda na placa "tia Iraci". O restaurante fica e uma pequena comunidade há 10 minutos de caminhada a partir do Casarão.


sábado, 10 de maio de 2014

Aiuruoca - dia 3, por Rafael Guerra

Pico do Papagaio

Segunda 04/03:

A Serra do Papagaio.
Foto de Gilmar Oliveira.
O dia começou cedo para nós e às 8h15 já havíamos iniciado a caminhada para o cume do Pico do Papagaio (2100 msnm).
Basicamente há duas formas de fazer a ascensão ao Pico do Papagaio: pelo Vale do Matutu, a partir da sitio do Saulo ou pelo Vale dos Garcias, do lado oposto da montanha, e foi essa a opção que escolhemos.
Deixamos os carros estacionados próximo ao Restaurante da Dona Gilda onde encomendei o nosso, que deveria estar pronto para a nossa chegada, prevista para 16-17 horas.
Para localizar o início da trilha basta seguir em frente após o Restaurante. Na primeira esquina, ao lado direito, há duas porteiras, uma com uma placa escrito "cavaleiros" e outra sem identificação. Seguimos pela porteira sem placa, subindo uma ladeira que parecia não ter fim. Quando a inclinação cessou, encontramos uma porteira à esquerda. É a partir dali que começa a trilha propriamente dita. Na minha opinião a subida inicial, de mais ou menos 1 hora, é a parte mais difícil da caminhada. Quem supera esta etapa tem todas as condições de chegar ao cume. A ascensão toda tem duração de 3,5 a 4,5 horas, dependendo do ritmo dos caminhantes.
Primeira visão do cume desde o início da caminhada.
foto de Fábio Fliess.
A trilha não apresenta muitas dificuldades de orientação. O ponto mais complicado é quando se chega à uma laje de pedra com um pequeno riacho por causa de um ziguezague. Ali deve-se seguir até a beira do córrego e então virar à direita para uma outra laje. Ali já se avista novamente a trilha à esquerda.
A crista da montanha é muito bonita e é recoberta por campos de poejo. Impressionante também é a Pedra Quadrada, um enorme bloco que se projeta sobre um abismo com a cidade de Aiuruoca e o mar de montanhas de Minas ao fundo. A trilha segue bem marcada até um descampado abaixo do cume e ali se encontra com a trilha que vem do sitio do Saulo. É uma opção descer por ela e fazer uma travessia.
Seguimos em frente e subindo por uma linda floresta até o cume, que é muito bonito. Havia até umas bandeiras de prece tibetanas tremulando e espalhando suas preces pelos ventos. Foi nesse clima de paz e alegria que fizemos o nosso lanche e nos preparamos para a descida.
O retorno foi bem mais rápido e em 3 horas já estávamos no Restaurante da Gilda para a nossa "almo-janta". Eu que já havia visitado a região em 2007 esperei durante todo esse tempo para comer ali novamente, e não me arrependi.
A certa altura, a trilha sai da mata e começa a subir, estreita entre o paredão de rocha e o precipício. Essa parte é muito bonita e parece um jardim plantado a mão.
foto de Gilmar Oliveira.

Subindo a parte mais exposta da trilha, rumo ao Campo de Poejo e à Pedra Quadrada.
foto de Fábio Fliess.

Eu e Lidiane na Pedra Quadrada.
foto de Fábio Fliess.

A bonita mata entre o campo de poejo e o cume.
foto de Fábio Fliess.

As bandeiras de prece no cume.
foto de Fábio Fliess.

As meninas fazendo a festa no cume.
foto de Fábio Fliess.

A turma toda reunida para a clássica foto no cume.
foto de Gilmar Oliveira.

Dicas:

Restaurante da Gilda:

Localização: No vale dos Garcias, próximo ao início da trilha para o Pico do Papagaio. Não tem erro... a estrada é repleta de placas desde o asfalto.
Preço: R$ 30/pessoa + 10% (É importante reservar logo cedo).
Telefones: (35) 3344-1342, (35) 3344-1233


Taxi Ajuru:
Uma boa opção para quem não quer enfiar o carro na lama ou para "resgate" em travessias das serras da região é contar com o suporte do Marcus.
Telefones: (35) 9944-1601, (35) 3344-1601
E-mail: ajuru@hotmail.com
Site: www.ajuru.com.br/taxi

sábado, 26 de abril de 2014

Aiuruoca - dia 2, por Rafael Guerra

Domingo 03/03:

Cachoeira do Fundo.
Foto de Fábio Fliess.
Nos reunimos para o café da manhã às 8 horas. Pão francês; pão de queijo; bolo; frutas... Nota dez! Em seguida partimos para o Vale do Matutu. Essa estrada de terra costumava estar muito ruim há alguns anos atrás, mas demos sorte e a encontramos em ótimas condições. Rodamos 17km em 40 minutos até o Casarão onde fica a Associação do Vale do Matutu e a cabeça da trilha e iniciamos a caminhada em direção ao fundo do Vale, rumo à Cachoeira do Fundo.
Casarão do Matutu.
Foto de Fábio Fliess.
A trilha é fácil de acompanhar mas para quem não tem experiência é recomendável a contratação de um guia local. Muito solícitos, costumam ficar próximos ao Casarão para o auxílio aos turistas e não cobram pelo serviço.
Seguimos por conta própria e a única bifurcação da trilha fica logo no início, aos 10 minutos de caminhada. Há uma placa com duas indicações: deve-se seguir a indicação "patrimônio".
Mais ou menos na metade do caminho, nós passamos ao lado da cachoeira do Meio. Muito bonita mas rasa demais para o banho que queríamos. Decidimos tocar direto para a Cachoeira do Fundo e dar passada ali apenas para umas fotos na volta.
Trecho da trilha para a Cachoeira do Fundo.
Foto de Gilmar Oliveira.
Trecho final da trilha.
Foto de Rafael Guerra.
O Vale do Matutu, com o Pico do Papagaio ao centro.
Foto de Fábio Fliess.
Depois de mais 1 hora de caminhada chegamos ao nosso objetivo. Até quem não costuma gostar de água fria (não citarei nomes) entrou na dança. O volume de água da queda garantiu uma boa ducha e muitas brincadeiras.
No final da caminhada do retorno, um pouco antes do Casarão, há o Restaurante da Tia Iraci. Nós pretendíamos almoçar ali mas decidimos retornar para a cidade devido a uma tempestade que estava se formando.


O final da tarde foi muito bem curtido a beira da piscina da pousada, com direto a muita prosa e boa cerveja.
A turma reunida, curtindo o final do dia.
Foto de Gilmar Oliveira.

domingo, 26 de agosto de 2012

Relógio UV Master

O relógio UV Master é um dos principais produtos da linha de Orientação da Guepardo, empresa conhecida por ser uma das principais marcas de produtos para atividades outdoor do Brasil.Como o próprio nome já sugere, o barato desse relório é indicar o índice de raios UV aos quais está sendo exposto. Mas antes de entrarmos nesse assunto, a pergunta fundamental... que raios significa esse tal índice UV?O índice ultravioleta (IUV) mede o nível de radiação solar na superfície da Terra. Quanto mais alto, maior o risco de danos à pele e de aparecimento de câncer. Esse índice começou a ser divulgado em 1994 com o objetivo de indicar a intensidade da radiação ultravioleta à qual somos expostos.

É muito importante para quem gosta de atividades ao ar livre como escaladas e trekkings, por exemplo, ficar bem atento à esse assunto. Especial atenção para atividades em alta montanha. Abaixo, alguns fatores que influenciam a quantidade de radiação UV que recebemos:
  • A camada de ozônio – A Patagônia, por exemplo, é uma região que fica sob o “buraco” da camada de ozônio. Cuidados especiais são requeridos;
  • Altitude – Nas altitudes superiores a atmosfera é menos densa e tem menos poder de filtragem da radiação UV. A incidência dessa radiação nessas regiões é mais alta;
  • Horário – A intensidade da radiação é mais alta entre 10 e 16h;
  • Superfície – A areia chega a refletir até 18% da radiação e a neve (pasme!) até 88%!
  • Nebulosidade – Dias muito nublados podem reduzir a incidência de radiação em até 70%, enquanto que em dias parcialmente nublados a radiação pode aumentar em até 25%;
  • Localização geográfica – Regiões tropicais recebem mais radiação do que regiões temperadas.




E o relógio?
Além de bonito é bem resistente, apesar de não ser a prova d’água. Levei-o para em uma viagem que fiz recentemente para escalar na Bolívia e ele sobreviveu muito bem. Me agradou muito a facilidade do uso... consegui configurar tudo sem nem abrir o manual.

O Relógio inclui 5 modos funcionais. Eles são o Modo de Hora Normal, Modo de Índice UV, Modo de Alarme Diário, Modo Cronômetro e Modo Timer.

O modo índice UV tem dois modos de operação. Índice UV atual  e Índice de UV máximo.

O sensor UV, quando apontado para a fonte de radiação UV (também conhecida como Sol), mostra o índice numéricamente (de 0 a 25) e graficamente, por meio de uma barra de traços na parte superior do mostrador. É possível configurar um alarme, para dois índices específicos.

Especificações:

Modo hora atual
Hora, minutos e segundos
Mês, dia, dia da semana e ano
Formato selecionável para 12/24 horas
Seleção de Mês-dia/Dia-mês
Calendário automático do ano 2000 até 2099
Aviso sonoro em hora cheia

Modo índice UV
Faixa de exibição (barra de traços): 0-15
Faixa de medição (numérica): 0-25
Resolução (barra de traços): Índice UV 1
Resolução (numérica): Índice UV 0,1
Alarme: 2 alarmes Índice UV
Código de cores: 4 cores (verde, amarelo, vermelho e roxo)

Modo alarme diário
1 alarme diário com duração de cerca 30 segundos

Modo cronômetro
Resolução: 1/100 segundo
Faixa de contagem: 9 horas, 59 minutos, 59,99 segundos
Modo de medição: Tempo decorrido, tempo acumulado e tempo de volta (apenas 1 volta)

Modo Timer
Resolução: 1 segundoLimite de ajuste: 23 horas, 59 minutos e 59 segundos
Som de alarme: Um sinal sonoro (bip) em 5, 4, 3, 2 e 1 segundo(s)
Som de alarme: “Bip-bip-bip” em 0 segundo
Duração do alarme: aproximadamente 10 segundos

Outros
Retroiluminação eletroluminescente

Boas aventuras!

Sites relacionados ao tema:

Programa Sol Amigo
 CPTEC - Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos
 Guepardo

domingo, 20 de maio de 2012

Pico do Inficionado, por Gilmar Oliveira

Características:
Altitude: 2.068m;
Duração: 4 a 5 horas (ida);
Distância: 11km.
A Caraça.
O Parque Natural do Caraça apresenta muitas atrações e uma grande variedade de atividades de aventura para os praticantes de ecoturismo, trekking e montanhismo. São cachoeiras, trilhas e montanhas que compõem uma parte da paisagem da Serra do Espinhaço que está localizada nos municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, no estado de Minas Gerais, a 120 km de Belo Horizonte. Dizem que a Serra lembra o rosto de um gigante deitado, daí a origem do nome Caraça (grande cara).

Parte plana, no início da trilha.

O Caraça também dá nome ao antigo colégio Caraça, onde importantes personalidades da história brasileira estudaram. O Parque compreende uma área de 11.233 hectares onde convivem ecossistemas da Mata Atlântica e do Cerrado. Nosso grupo já conhecia as trilhas da região quando esteve em outubro de 2007 e percorreu dois roteiros: a Cascatona e o Pico do Sol. Desta vez a idéia do nosso grupo seria tentar subir duas montanhas, sendo uma delas já definida: o Pico do Inficionado. Os picos do Parque Natural do Caraça somente podem ser acessados com a presença de guias registrados pelo próprio parque.
A serra do Caraça é composta por sete picos com variado grau de dificuldade de acesso: Verruguinha (1650), Três Irmãos ou Trindade (1675m), Conceição (1800m), Carapuça (1955m), Canjerana (1890m), Inficionado (2068m) e Pico do Sol (2072m).  

A Caraça e, à direita após a grota,
o Inficionado.

Antes de chegar a Santa Bárbara já havíamos feito contato com João Julio, um dos guias mais antigos do Caraça e que nos levara ao Pico do Sol em 2007. Tudo pronto para mais uma aventura, tratamos de chegar cedo à sede do Parque e rapidamente nos preparamos para iniciar a trilha. Nosso grupo foi composto por mim, Alê, Fábio, Rafael, Iza, Lidiane e o Miguel, de Belo Horizonte. Começamos a caminhar às 9h.

A trilha até o Pico do Inficionado possui 11km de extensão, sendo que apenas os 5 primeiros quilômetros são vencidos com grande facilidade, o que pode ser feito em 1h de caminhada leve, aproximadamente. Pouco à frente chega-se ao último ponto de água e, é importante levar no mínimo dois litros de água para vencer o restante do percurso até o cume, principalmente se o dia estiver muito quente e com sol forte.

A turma no "toca pra cima".

Um longo e forte trecho de subida é alcançado mais adiante, justamente após a trilha se dividir entre o caminho leva ao Pico do Verruguinha (à direita e em frente) e ao Pico do Inficionado (à esquerda). O dia estava perfeito e o sol de rachar, por isso a recomendação de proteção solar intensa e muita hidratação nas trilhas desta região, sempre. O primeiro trecho de subida é o mais difícil e pode ser vencido com aproximadamente 40 mim de muito esforço e algum cuidado nas passagens pela encosta, que não oferece grandes riscos.

Ao final desta subida existe um platô de onde se pode apreciar o belo visual do Parque e das montanhas ao redor. Chegamos a esse local após 2h de trilha, aproximadamente. O tempo total estimado para subir o Inficionado é de 4 a 5 horas (ida), dependendo das condições físicas do caminhante. A seqüência da trilha após o primeiro platô é um pouco mais suave e alterna raros trechos planos e lajes de pedra com inclinação razoável, que permite ao trekker manter um bom ritmo de subida. Nosso guia não estava muito bem devido a uma possível intoxicação alimentar, o que o levou a ter alguma dificuldade para conduzir nosso grupo deste ponto até o cume. 

Trecho em lage de pedra antes da
subida final.

Às 12h avistamos nosso objetivo: o cume do Inficionado, localizado sobre uma rampa de subida forte é um pouco acidentado. Mais trinta minutos de trilha e estaríamos alcançando a base do cume. Após 3 horas e meia de intensa caminhada sob um forte sol, exatamente às 12h30, chegamos ao cume do Inficionado. O visual é fantástico e as fotos comprovam que se trata de um dos lugares mais belos da Serra do Espinhaço em Minas Gerais. O Inficionado é reconhecidamente o Pico mais exigente do Parque Natural do Caraça, devido principalmente aos trechos acidentados e íngremes que compõem boa parte da trilha. Em grau de dificuldade, logo após está o Pico do Sol, apesar de ser um pouco mais alto e possuir uma trilha mais extensa do que o Inficionado.
João Julio (guia), Gilmar, Iza, Fábio, Miguel, Alê, Rafael e Lidiane no Pico do Inficionado.
Permanecemos no cume aproximadamente por 1 hora, tempo suficiente para gravar algumas belas imagens, tirar muitas fotos e comer. Iniciamos a descida pouco antes das 14h e o tempo indicava que chegaríamos antes do entardecer. Como esperado, os trechos iniciais do retorno exigiram muito das articulações de joelhos e tornozelos, devido ao elevado grau de inclinação da trilha. Fábio sofreu uma leve torção de joelho, mas, apesar disso, prosseguiu sem maiores problemas. Vencida a parte mais íngreme da trilha, depois de passar novamente pelo último ponto de água, o retorno foi muito tranqüilo e a única preocupação de todos foi registrar as belas imagens daquele final de tarde. Aproximadamente às 17h30 estávamos de volta ao Santuário do Caraça e a cerveja gelada foi a merecida recompensa por nosso esforço naquele dia.

Mais informações sobre o Parque do  Caraça em: http://www.santuariodocaraca.com.br/inicial.php


sábado, 28 de abril de 2012

Peito de Pombo, por Gilmar Oliveira

Características:
Altitude: 1.400m;
Duração: 3 a 4h (ida);
Distância: 7.100m.

O "Peito do Pombo". A curiosa formação que dá nome à montanha.
Para chegar ao Arraial do Sana, ponto de partida para a escalada do Peito de Pombo, basta pegar a RJ-142, que também é conhecida como estrada Serra-Mar. Esta rodovia liga o distrito de Lumiar (Nova Friburgo) até Casimiro de Abreu. Fique atento porque a sinalização para quem segue no sentido Lumiar x Casimiro de Abreu é precária e o acesso pode passar despercebido. Já no sentido Casimiro de Abreu x Lumiar não há dúvidas. Mais dicas sobre como chegar e referência sobre onde ficar podem ser obtidas através do Portal do Sana (http://www.portaldosana.com.br/).
 
Croqui da trilha

A trilha do Peito de Pombo começa no próprio Arraial do Sana, bastando seguir o caminho em direção às cachoeiras. Há um ponto de controle e registro de visitantes no inicio da trilha. Se levar um GPS calibre para 296m de altitude nesse ponto e prepare-se porque serão mais de mil metros de desnível e cerca de 3h de trekking intenso até atingir o cume da montanha. Procure iniciar a caminhada bem cedo, evitando as temporadas de verão e dias de sol forte, que podem resultar em pancadas de chuva e dificultar o trecho que exige transposição do rio. A extensão total do início da trilha até o cume é de cerca de 7km (ida).

A trilha é muito bem definida em seu início e conta com boa estrutura e vários pontos de coleta de água. Segue sempre sob uma floresta densa e pelo lado direito do rio, com vários pontos de acesso as cachoeiras da região, que são muito procuradas por turistas que visitam o Arraial. Depois de se afastar das cachoeiras, a trilha fica um pouco mais aberta, passa por algumas porteiras que controlam o acesso de fazendas e sítios, de ambos os lados. Procure sempre manter as porteiras fechadas após sua passagem. Durante esse trecho sempre é possível avistar o cume da montanha, olhando para a esquerda, no alto do vale cortado pelo rio. Você notará que a trilha descerá até o fundo desse vale, contornando a base da montanha pela direita, acessando-a por trás. Esse trecho inicial é o trecho mais extenso da trilha, porém, praticamente plano em toda sua extensão.

Vista do Vale do Peito de Pombo, logo após o início da subida, depois da travessia do rio. É possível ver, no centro do vale, a parte da trilha que já ficou para trás.
Fique atento porque serão cerca de 1h30 até chegar ao fundo do vale, onde se deve cruzar o Rio, à esquerda, e seguir por uma trilha que sobe à direita. Este é um ótimo ponto de parada para um lanche e para recarregar as energias. No local existe uma placa indicativa que contém a altitude da montanha (1.400m). Pouco menos de 3 km de distância separam o fundo do vale até o cume, mas, a trilha se torna muito exigente a partir desse ponto. A trilha segue subindo por um pasto com capim e caminho pouco definido. Não se afaste para a esquerda, procure subir o morro contornando sempre em direção à direita, observando como referência um pequeno bambuzal que pode ser avistado na extremidade direita desse morro. Fique atento porque esse trecho é pouco definido. Após ser aproximar do bambuzal deve-se atravessar a cerca e continuar subindo à direita, ainda por um trecho de pasto. Mais à frente haverá outra cerca que também deve ser atravessada. Desse ponto se pode avistar o cume do Peito de Pombo à frente. Aproveite para registrar algumas fotos, porque será o último ponto que se pode avistar o cume.

Eu e o Rafael Guerra, no trecho logo após o bambuzal.
 
 Mais à frente a trilha entra em uma mata fechada e começa a parte mais exigente do trekking. Não existem problemas quanto à orientação, o caminho é muito bem definido a partir desse trecho, mas, muito íngreme e escorregadio até chegar ao cume. Logo após entrar na mata haverá o ultimo ponto de água de fácil acesso. 

O "toca-pra-cima"!!!
Depois disso, ainda há mais um ponto de água, localizado pouco antes do cume, porém, de difícil coleta. Para facilitar a progressão neste trecho de mata é necessário se apoiar em raízes expostas e pequenas árvores. Essa será a sua rotina por cerca de 1h de subida forte, até atingir o cume.  

Ao chegar à Pedra que constitui a base do cume da montanha, procure contorná-la pela direita. Existem cordas fixas para facilitar algumas passagens. Antes de usá-las, é conveniente avaliar o seu estado para evitar surpresas. Também é possível dispensar o uso das cordas e se apoiar nas raízes das árvores. Depois de subir o primeiro cume, avista-se o cume principal, que também possui uma corda fixa para auxiliar o acesso. Embora existam cordas fixas em três trechos, próximos ao cume, não há exposição que coloque o montanhista sob risco de acidentes. Pronto, chega-se ao cume do Peito de Pombo depois de uma jornada de 3h de trilha intensa. 

A pedra que existe no cume só pode ser acessada com o uso de equipamentos de escalada artificial. O visual é incrível e compensa o esforço do montanhista. Aproveite para se re-hidratar, alimentar-se e recuperar as energias para mais três horas de retorno.
 


A turma reunida no final da caminhada.