Nota:
este texto é de 2009 e algumas informações podem ter mudado. Estou atualizando as informações ao final do relato.
Quem quiser também poderá contribuir, deixando uma dica como comentário.
Boa leitura!
Como parte da preparação para a nossa expedição que partirá para a cordilheira Huayhuash, no Perú, preparamos uma agenda com caminhadas mais longas e exigentes para o primeiro semestre deste ano. A primeira trilha desta sequência foi a travessia da Ponta da Joatinga, também conhecida como travessia Paraty-Laranjeiras.
este texto é de 2009 e algumas informações podem ter mudado. Estou atualizando as informações ao final do relato.
Quem quiser também poderá contribuir, deixando uma dica como comentário.
Boa leitura!
Como parte da preparação para a nossa expedição que partirá para a cordilheira Huayhuash, no Perú, preparamos uma agenda com caminhadas mais longas e exigentes para o primeiro semestre deste ano. A primeira trilha desta sequência foi a travessia da Ponta da Joatinga, também conhecida como travessia Paraty-Laranjeiras.



Estávamos preocupados em termos dificuldades para encontrarmos um barco que nos levasse até a praia do Pouso do Cajaíba, mas até que foi fácil. O Cais estava lotado de barcos para os mais diversos destinos e alguns, sem destino definido, aguardando somente a chegada qualquer grupo que precisasse de transporte para umas das praias da região ou até mesmo um roteiro pelos encantos da Baía da Ilha Grande. O preço do serviço gira em torno de R$ 25 e R$ 30 por pessoa.
Por volta das 10h embarcamos em uma luxuosa traineira de pesca chamada Atlântico Sul. Navegamos durante duas horas e meia passando por diversas ilhas particulares, praias e outras embarcações até chegarmos no ponto inicial de nossa caminhada, aonde encontramos uma pensão e pagamos R$ 15,00 por um inusitado cardápio de lula com feijão, arroz e refrigerante... praticamente um luxo! Não havia o que reclamar da combinação porque já estávamos "no ar", viajando, desde a madrugada.
Mal terminamos de almoçar e às 14h botamos o pé na trilha rumo à Praia de Martin de Sá. Foi uma caminhada de cerca de 4km com um desnível de 300m que fizemos em 1,5 hora. Na parte mais alta da trilha, apesar do tempo já estar meio nebuloso, pudemos apreciar uma vista privilegiada do Pouso do Cajaíba e da praia de Calhaus. Às 15h30m chegamos no camping do "Seu" Maneco. O Seu Maneco e a sua família são os únicos moradores de Martin de Sá. Ele cobra R$ 10,00 de diária por pessoa e serve refeições (PF) por R$ 15,00. Nenhuma bebida alcóolica é comercializada no lugar.

Após montarmos o acampamento, corremos para para tentar aproveitar o finalzinho do dia na praia. O mar, que naquela região é costuma ser muito calmo, naqueles dias estava agitadíssimo devido à um ciclone extratropical ocorrido na costa do Uruguay naquela semana. Por precaução preferi não arriscar a minha pele e saí logo da água.

Como havíamos dormido muito cedo no primeiro dia da aventura, praticamente madrugamos no dia 11. Às 6 horas da manhã eu já não tinha mais sono e, como não adiantava insistir, resolvi tomar o café de manhã e me preparar para o segundo dia de jornada. Partimos às 8h30 para percorrermos o trecho entre a Martin de Sá e a Praia da Ponta Negra, de 11,4km de extensão, com direito a um desnível de 576m. Começamos a caminhada seguidos de perto por um grupo de paulistas que também estavam acampados no camping do Seu Maneco e já estavam fazendo aquela caminhada pela segunda vez. Os primeiros 30 minutos da caminhada foram meio confusos, com algumas bifurcações para os dois lados. Em uma dessas bifurcações ficamos em dúvida e fomos ultrapassados pelos paulistas, que seguiram pela bifurcação da direita. Como o caminho para eles não era novidade, resolvemos seguí-los. Passamos por um descampado com uma laranjeira carregada e em 1 hora de caminhada atravessamos dois rios bem complicados. Um
com um imenso tronco atrapalhando a passagem e outro, mais fundo, que nos obrigou atravessá-lo descalços para não molharmos os calçados. Continuamos subindo uma trilha já não tão marcada, bem fechada, e o Fábio começou a ficar preocupado em termos escolhido a direção errada. Não demorou muito e um dos paulistas que seguiam bem a frente gritou para que voltássemos pois havíamos seguido pelo caminho errado. Na verdade, acreditamos que aquela era a trilha para o Pico do Cairuçú (mais de 1000m de altitude!). Levamos quase 40 minutos para retornarmos à tal bifurcação.
Em poucas horas o desgaste e o tempo perdido por causa da decisão mal tomada nos fariam falta.
Às 11h retomamos a caminhada pela trilha correta e começamos uma subida de 20 minutos. Na final da descida deste morro chegamos à Praia do Cairuçú, onde encontramos algumas casas e decidimos parar para um pequeno lanche e descanso pois, dali para frente, enfrentaríamos o pior trecho de toda a aventura. Uma forte subida de aproximadamente duas horas até atingirmos o ponto culminante da caminhada, a 576m.
Partimos às 12h45m e 25 minutos depois nos deparamos com uma grande pedra que interrompeu a trilha. Neste ponto é necessário contornar essa pedra pela esquerda para reencontrar a trilha um pouco mais a frente. Depois disso nós subimos muito, muito, muito. Passamos por uma crista em mata fechada e, às 14h30 acabei encontrando o Fábio parado na trilha, questionando se aquele era realmente o caminho certo porque ele não estava reconhecendo os breves indicadores dados pelo guia que estava acompanhando. Já no Rio de Janeiro, alguns dias depois da aventura, ele comentou aquele momento complicado:
Em poucas horas o desgaste e o tempo perdido por causa da decisão mal tomada nos fariam falta.
Partimos às 12h45m e 25 minutos depois nos deparamos com uma grande pedra que interrompeu a trilha. Neste ponto é necessário contornar essa pedra pela esquerda para reencontrar a trilha um pouco mais a frente. Depois disso nós subimos muito, muito, muito. Passamos por uma crista em mata fechada e, às 14h30 acabei encontrando o Fábio parado na trilha, questionando se aquele era realmente o caminho certo porque ele não estava reconhecendo os breves indicadores dados pelo guia que estava acompanhando. Já no Rio de Janeiro, alguns dias depois da aventura, ele comentou aquele momento complicado:
"Eu estava esperando há cerca de 15 minutos e cheguei a pensar em voltar porque achei que a pessoal estava demorando demais e que alguém poderia ter pego uma trilha errada. Mesmo com o erro de percurso no início do dia, eu estava me sentindo bem, e mantive um ritmo forte pensando em chegar logo no final daquela subida. Eu me lembrava de que o Gilmar estava logo atrás de mim, mas em algum momento ele e o resto da turma acabou se afastando. Para complicar, essa pausa maior do que a esperada acabou por “quebrar” o meu ritmo e começei a me sentir muito cansado. E a preocupação em saber se estávamos na trilha correta aumentava o drama."
Eu falei que ficasse tranquilo porque eu havia reconhecido a crista, que era um dos sinais informados pelo livro. Ele acreditava que, pelo tempo gasto, já deveríamos estar na parte mais alta da travessia daquela montanha.
E agora? O que fazer?
Combinamos que eu subiria sozinho durante 10 ou 15 minutos e, se encontrasse os sinais, chamaria o restante do grupo. Caso não encontrasse nada, retornaríamos.
A Alessandra foi voluntária para me acompanhar. Aceitei imediatamente porque, em situações como a que estávamos, é totalmente irresponsável que alguém saia sozinho para procurar o caminho correto. O correto foi o que fizemos. Dividimos o grupo de forma que ninguém ficasse sozinho se tivesse algum tipo de problema.
Eu e a Alessandra subimos em um ritmo forte. Após 8 minutos, pedi que ela me aguardasse parada para que eu seguisse por mais 8 minutos. Caso eu encontrasse alguma pista, não precisaria descer tudo para avisar ao grupo. Bastaria gritar para ela que ela repetiria as instruções para o grupo logo abaixo. A minha confiança já estava indo embora quando encontrei uma gruta chamada de "toca da raposa". Vibrei muito por saber que estava tudo dando certo e gritei a notícia para a Alessandra que chamou a Iza, o Gilmar e o Fábio. Esse "telefone sem fio" foi uma solução meio tosca mas funcionou bem. Estamos pensando em comprar um par de rádios para levar nas próximas aventuras porque, sem dúvida, irá nos ajudar quando estivermos em um grupo maior e com ritmos diferentes.
Assim que o pessoal me alcançou continuamos caminhando e chegamos, finalmente, ao ponto mais alto da travessia às 15h. Após uma parada rápida para algumas fotos retomamos a caminhada e fiquei surpreso ao constatar que a descida da montanha era ainda mais íngreme do que a subida. O Gilmar e o Fábio chegaram a comentar que provavelmente era por isso que a travessia era Paraty-Laranjeiras, e não o contrário.

Almoço/jantar em Ponta Negra

No final dessa praia está o início da trilha para a Praia do Sono. Também é uma caminhada fácil. Levamos menos de 20 minutos para subirmos o morro e uns 10 minutos para descê-lo após, claro, tirarmos a tradicional foto com a Praia do Sono ao fundo. De todas as praias pelas quais passamos esta é a mais habitada e a que oferece a melhor infraestrutura. Há quartos para alugar e campings para todos os gostos. Dos mais familiares até os mais "zoeiras".
Aproveitamos para beber uns 2l de refrigerante e o Gilmar não resistiu e caiu no mar. Ficamos um bom tempo curtindo aquele lugar, conhecendo os campings e várias pessoas bacanas que também estavam de passagem.
Como a caminhada para Laranjeiras é relativamente curta (com peso, pode ser feita em 1 hora) e a trilha é melhor cuidada, chegando a ter até umas escadas de concreto, um passeio que recomendo para quem não quiser fazer um trekking de 3 dias como nós, é acampar na Praia do Sono. Uma praia de águas calmas, muito bonita. Um local com um astral capaz de arrancar o stress de qualquer pessoa.
Os campings de lá tem telefone e é possível até agendar um frete de barco para quem não gosta de caminhar ou precisa levar muito peso. Vale a pena.
A tarde já estava começando quando chegamos à uma pequena praça, já em Laranjeiras, aonde ficamos esperando num ponto ônibus um transporte para nos levar até Paraty onde almoçamos e começamos a última parte da viagem: o retorno para casa.
O retorno à Paraty
Depois de tanto esforço e de tanta adrenalina, o balanço que posso fazer desse trekking é o prazer de poder fazer coisas novas sempre. Eu, que comecei a caminhar na Ilha Grande, sempre passando ou chegando em praias deslumbrantes, estava há uns 10 anos sem fazer uma caminhada em ambiente de praia. Para quem, como eu, se habituou a caminhar na serra e se acostumou com o verde da mata e o cinza das rochas, um passeio como este trás uma emoção especial ao colocar um pouco do azul do mar e do colorido dos barcos nas fotos e nas lembranças.
Até a próxima aventura!
Até a próxima aventura!
Colaborou com este texto: Fábio Fliess
Atualização #1 (Jul/2014):
Existe a opção de fazer um trajeto mais "clássico" e completo, começando a caminhada a partir do Saco do Mamanguá, iniciando a trilha a partir da Praia do Engenho ou a partir da Comunidade do Cruzeiro (Há um camping gramado nessa comunidade).
A dica é, ir até Paraty Mirim e contratar um barco por lá. Como o trecho de navegação é bem menor do que a partir de Paraty, o valor da "passagem" no barco diminui consideravelmente.
A dica é, ir até Paraty Mirim e contratar um barco por lá. Como o trecho de navegação é bem menor do que a partir de Paraty, o valor da "passagem" no barco diminui consideravelmente.
- Estacionamento: Nessa pequena vila, há 3 estacionamentos próximos à praia, que cobram diária de R$ 10.
- Barco: O Sr. Irineu é proprietário de um barco com capacidade para 11 passageiros.
Os telefones dele são (24) 99901-1091 ou (24) 99982-0275. Não estranhe se os números estiverem fora de área. O Sr. Irineu está quase sempre navegando e a comunicação com ele não é fácil. Por isso é importante começar a tentar contactá-lo com antecedência.
Caso o grupo seja maior do que 11 pessoas, ele pode conseguir mais um barco.
Preço - Na data dessa revisão ele estava cobrando os seguintes valores pela lotação completa do barco:
- Para a Praia Grande do Pouso da Cajaíba: R$ 250;
- Para a Praia do Engenho: R$ 150;
- Para a Comunidade do Cruzeiro: R$ 200. - Retorno após a travessia: De Laranjeiras para Paraty Mirim é necessário pegar duas conduções. um ônibus até a BR, na altura da entrada para Paraty Mirim e outro da BR para a vila, onde ficará o carro.
3 comentários:
Oi Rafael,
Gostei muito do texto. Espero que ganhem o concurso, estou torcendo por vcs.
Abç
Daniele
Opa!
Gostaria de algumas informações sobre essa travessia, teria algum e-mail para contato?
O meu é natan_weber@yahoo.com.br
Abraço!
As fotos são lindas. O lugar parece incrível. Estou pensando em viajar, mas acho que vou ter que adiar porque estou mudando para uma casa laranjeiras, e eu não tenho dinheiro. Beijos
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