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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Travessia da Serra do Papagaio - Dia 2, por Fabio Fliess



Letícia e Gustavo curtindo o nascer do sol.
Foto: Fabio Fliess

 A noite foi bem fria (segundo o termômetro que o Garcia levou, a mínima foi de 5 graus, mas a sensação térmica devia bater no negativo), mas acordamos bem cedo para ver o sol nascer. Ficamos cerca de meia hora curtindo o espetáculo, tirando fotos e conversando.
Por volta das 6h, já começamos a preparar o café da manhã, arrumar os equipamentos e preparar as mochilas.  Existia uma preocupação no ar, pois sabíamos que o segundo dia seria o mais puxado de toda a travessia, e no dia anterior não havíamos conseguido chegar ao ponto desejado para acampar. Ou seja, o mais difícil ainda poderia ficar pior.  Por conta disso, nem consideramos uma possível subida ao cume do Morro da Bandeira e às 8h retomamos nossa caminhada.
Andamos cerca de 800m praticamente no plano e nos deparamos com um curral de pedras que logo identificamos como o Retiro dos Pedros.  Isso acabou nos dando um ânimo a mais, pois o “prejuízo” do dia anterior foi pequeno.  Andamos mais 200m e atravessamos um riacho onde pegamos um pouco de água (não confiamos muito na qualidade da água). Nesse dia teríamos uma fartura de pontos de água e isso não nos preocupava (pelo menos não nesse momento).
Logo a trilha entra na mata fechada e segue assim durante um bom tempo, contornando o Pico da Canjica pela esquerda. Após algumas descidas, a trilha fica plana e sai em um bonito campo aberto. Nesse ponto (e em vários outros), a navegação é mais instintiva e é preciso prestar bastante atenção na calha da trilha, que muitas vezes fica fechada pela vegetação baixa.

Detalhe do totem do Santo Daime.
Foto: Fabio Fliess

Chegamos num bonito mirante onde avistamos uma enorme cachoeira, que chegamos a pensar que fosse a Cachoeira da Juju, nosso objetivo do dia. Logo a trilha começa a descer para a esquerda, e entramos novamente na mata, com fortes descidas.  Quando saímos da floresta, entramos em um enorme campo aberto, onde está fincado um “totem” do Santo Daime, a direita da trilha. Deixamos as mochilas e fomos fotografar o tal totem. Não achei nada demais, e voltei com os outros para a trilha principal (na verdade, uma estrada) onde fizemos um lanche rápido.
Um pouco mais a frente, essa estrada bifurca. Seguindo a esquerda, existe um bom ponto para coletar água e existe a possibilidade de abortar a trilha seguindo até o Vale do Matutu. A continuação da travessia é pela direita, cruzando uma bonita mata. Um pouco a frente, cruzamos novamente um riacho, andamos um pouco mais e a trilha vira a direita uns 90˚. 

A trilha vai subindo e descendo morros durante um bom trecho.
Foto: Fabio Fliess

A partir desse ponto, vamos subindo e descendo vários morros, debaixo de um sol forte. O visual é que anima e compensa. Depois da descida do terceiro ou quarto morro (nem me recordo mais), encontramos um local plano e com sombra para fazermos uma refeição reforçada.  Até ali, já tínhamos caminhado cerca de 9km, metade do estimado para o dia.  Ficamos quase meia hora comendo, conversando e descansando.
Retomamos a caminhada, e pouco depois chegamos num bonito mirante (apesar da falta de água, um bonito local para acampamento). A trilha começa a descer em direção ao fundo do vale. Ali, passamos por dois pontos de água, sendo o primeiro dentro de uma pequena floresta. Após (mais) uma subida, quando chegamos ao topo avistamos um grande rio que teríamos que cruzar, que possui uma enorme cachoeira e um belo poço.
Descemos até a calha do rio e começamos a procurar um ponto para atravessá-lo. Embora os relatos mencionem que é mais fácil atravessar um pouco mais acima, optamos por fazê-lo bem perto da cachoeira.  Embora a correnteza fosse forte, o volume de água não era tão grande.  Preparamos tudo e pouco tempo depois, estávamos todos na outra margem, em segurança!

A bonita cachoeira avistada depois de cruzarmos o rio.
Foto: Fabio Fliess

A alegria de atravessar o rio em segurança logo foi ofuscada pelas fortes subidas que iríamos encarar pela frente.  Passamos próximos a um casebre (uma referência da trilha), continuando a subir o forte aclive e em pouco tempo estávamos caminhando numa bonita crista. Andando um pouco mais, a trilha chega ao final de uma estrada que desce para a esquerda e leva até a localidade de Alagoa (outro ponto para abandonar a travessia). Na direção oposta, essa estrada vira uma trilha bastante erodida em direção ao fundo do vale. Seguimos por essa trilha e já estava bem tarde quando chegamos num riacho, e na dúvida, resolvemos encher os cantis.  Não tínhamos certeza se conseguiríamos chegar a Cachoeira da Juju com luz, e já pensávamos em outras opções para pernoitar.
Após o riacho, temos mais um trecho de subida forte, que subi resignado. Chegando ao topo dessa elevação, a trilha fica mais plana e a caminhada rende um pouco mais. Cerca de 10 minutos depois chegamos num mirante onde finalmente avistamos o destino do dia.  Visualizamos os grandes poços da cachoeira e sabíamos que faltava pouco. 

Avistando as corredeiras da Cachoeira da Juju, no final do dia.
Foto: Gustavo Machado

Um pouco mais animados com a proximidade do acampamento, começamos a forte descida até a cachoeira. Inicialmente em um trecho bastante erodido, com muitas pedras soltas, até chegar numa porteira. A partir dali, a navegação foi praticamente visual, e apenas em alguns pontos conseguíamos enxergar o capim amassado indicando a trilha.  Após uma forte descida, bastante cansativa e perigosa (a Lidiane chegou a torcer levemente o pé) cruzamos um pequeno pasto e finalmente chegamos à área de acampamento, ao lado da cachoeira. Eram 18h e praticamente não tínhamos mais luz natural.
Usando as lanternas, montamos nossas barracas. Os mais corajosos ainda encararam um banho completo na cachoeira!
Por conta das aranhas e escorpiões que apareceram no nosso acampamento, a Letícia perdeu a fome e desistiu de cozinhar.  Não me incomodei com isso, pois na verdade estava sem fome.  O restante da turma preparou suas refeições. Eu apenas filei um pouco de vinho tinto “Travessia” (nome muito apropriado), levado pelo Fiorini.  
Foram praticamente 10h de caminhada pesada! Antes das 20h já estavam todos dormindo. 

A beleza da Serra da Mantiqueira nos levava sempre a frente.
Foto: Fabio Fliess

Marcelo Garcia na aproximação da Cachoeira da Juju, com o sol já se pondo.
Foto: Gustavo Machado

Por do sol, visto do último morro antes da Juju.
Foto: Fábio Fliess

sábado, 10 de maio de 2014

Aiuruoca - dia 3, por Rafael Guerra

Pico do Papagaio

Segunda 04/03:

A Serra do Papagaio.
Foto de Gilmar Oliveira.
O dia começou cedo para nós e às 8h15 já havíamos iniciado a caminhada para o cume do Pico do Papagaio (2100 msnm).
Basicamente há duas formas de fazer a ascensão ao Pico do Papagaio: pelo Vale do Matutu, a partir da sitio do Saulo ou pelo Vale dos Garcias, do lado oposto da montanha, e foi essa a opção que escolhemos.
Deixamos os carros estacionados próximo ao Restaurante da Dona Gilda onde encomendei o nosso, que deveria estar pronto para a nossa chegada, prevista para 16-17 horas.
Para localizar o início da trilha basta seguir em frente após o Restaurante. Na primeira esquina, ao lado direito, há duas porteiras, uma com uma placa escrito "cavaleiros" e outra sem identificação. Seguimos pela porteira sem placa, subindo uma ladeira que parecia não ter fim. Quando a inclinação cessou, encontramos uma porteira à esquerda. É a partir dali que começa a trilha propriamente dita. Na minha opinião a subida inicial, de mais ou menos 1 hora, é a parte mais difícil da caminhada. Quem supera esta etapa tem todas as condições de chegar ao cume. A ascensão toda tem duração de 3,5 a 4,5 horas, dependendo do ritmo dos caminhantes.
Primeira visão do cume desde o início da caminhada.
foto de Fábio Fliess.
A trilha não apresenta muitas dificuldades de orientação. O ponto mais complicado é quando se chega à uma laje de pedra com um pequeno riacho por causa de um ziguezague. Ali deve-se seguir até a beira do córrego e então virar à direita para uma outra laje. Ali já se avista novamente a trilha à esquerda.
A crista da montanha é muito bonita e é recoberta por campos de poejo. Impressionante também é a Pedra Quadrada, um enorme bloco que se projeta sobre um abismo com a cidade de Aiuruoca e o mar de montanhas de Minas ao fundo. A trilha segue bem marcada até um descampado abaixo do cume e ali se encontra com a trilha que vem do sitio do Saulo. É uma opção descer por ela e fazer uma travessia.
Seguimos em frente e subindo por uma linda floresta até o cume, que é muito bonito. Havia até umas bandeiras de prece tibetanas tremulando e espalhando suas preces pelos ventos. Foi nesse clima de paz e alegria que fizemos o nosso lanche e nos preparamos para a descida.
O retorno foi bem mais rápido e em 3 horas já estávamos no Restaurante da Gilda para a nossa "almo-janta". Eu que já havia visitado a região em 2007 esperei durante todo esse tempo para comer ali novamente, e não me arrependi.
A certa altura, a trilha sai da mata e começa a subir, estreita entre o paredão de rocha e o precipício. Essa parte é muito bonita e parece um jardim plantado a mão.
foto de Gilmar Oliveira.

Subindo a parte mais exposta da trilha, rumo ao Campo de Poejo e à Pedra Quadrada.
foto de Fábio Fliess.

Eu e Lidiane na Pedra Quadrada.
foto de Fábio Fliess.

A bonita mata entre o campo de poejo e o cume.
foto de Fábio Fliess.

As bandeiras de prece no cume.
foto de Fábio Fliess.

As meninas fazendo a festa no cume.
foto de Fábio Fliess.

A turma toda reunida para a clássica foto no cume.
foto de Gilmar Oliveira.

Dicas:

Restaurante da Gilda:

Localização: No vale dos Garcias, próximo ao início da trilha para o Pico do Papagaio. Não tem erro... a estrada é repleta de placas desde o asfalto.
Preço: R$ 30/pessoa + 10% (É importante reservar logo cedo).
Telefones: (35) 3344-1342, (35) 3344-1233


Taxi Ajuru:
Uma boa opção para quem não quer enfiar o carro na lama ou para "resgate" em travessias das serras da região é contar com o suporte do Marcus.
Telefones: (35) 9944-1601, (35) 3344-1601
E-mail: ajuru@hotmail.com
Site: www.ajuru.com.br/taxi

sábado, 26 de abril de 2014

Aiuruoca - dia 2, por Rafael Guerra

Domingo 03/03:

Cachoeira do Fundo.
Foto de Fábio Fliess.
Nos reunimos para o café da manhã às 8 horas. Pão francês; pão de queijo; bolo; frutas... Nota dez! Em seguida partimos para o Vale do Matutu. Essa estrada de terra costumava estar muito ruim há alguns anos atrás, mas demos sorte e a encontramos em ótimas condições. Rodamos 17km em 40 minutos até o Casarão onde fica a Associação do Vale do Matutu e a cabeça da trilha e iniciamos a caminhada em direção ao fundo do Vale, rumo à Cachoeira do Fundo.
Casarão do Matutu.
Foto de Fábio Fliess.
A trilha é fácil de acompanhar mas para quem não tem experiência é recomendável a contratação de um guia local. Muito solícitos, costumam ficar próximos ao Casarão para o auxílio aos turistas e não cobram pelo serviço.
Seguimos por conta própria e a única bifurcação da trilha fica logo no início, aos 10 minutos de caminhada. Há uma placa com duas indicações: deve-se seguir a indicação "patrimônio".
Mais ou menos na metade do caminho, nós passamos ao lado da cachoeira do Meio. Muito bonita mas rasa demais para o banho que queríamos. Decidimos tocar direto para a Cachoeira do Fundo e dar passada ali apenas para umas fotos na volta.
Trecho da trilha para a Cachoeira do Fundo.
Foto de Gilmar Oliveira.
Trecho final da trilha.
Foto de Rafael Guerra.
O Vale do Matutu, com o Pico do Papagaio ao centro.
Foto de Fábio Fliess.
Depois de mais 1 hora de caminhada chegamos ao nosso objetivo. Até quem não costuma gostar de água fria (não citarei nomes) entrou na dança. O volume de água da queda garantiu uma boa ducha e muitas brincadeiras.
No final da caminhada do retorno, um pouco antes do Casarão, há o Restaurante da Tia Iraci. Nós pretendíamos almoçar ali mas decidimos retornar para a cidade devido a uma tempestade que estava se formando.


O final da tarde foi muito bem curtido a beira da piscina da pousada, com direto a muita prosa e boa cerveja.
A turma reunida, curtindo o final do dia.
Foto de Gilmar Oliveira.

domingo, 20 de abril de 2014

Aiuruoca - dia 1, por Rafael Guerra


Após quase dois anos sem reunirmos os três em uma mesma trip, eu; Fábio e Gilmar partimos com nossas esposas e o Fernando Badia e família para Aiuruoca para explorar os atrativos do local (que não são poucos) durante o período do Carnaval 2014.

Para que o relato não fique muito maçante, eu dividi a história em 4 partes, cada uma referente a um dia da viagem, nas quais eu tentarei dividir algumas dicas sobre os lugares por onde passamos.

Sábado 02/03:

Cachoeira "Deus me Livre". Foto de Fábio Fliess
Para evitar a fadiga, eu e Lidiane subimos do Rio para Petrópolis já na sexta-feira. Acordamos bem cedo no sábado e reunimos o grupo todo no pedágio da BR-040, na altura de Areal. Foi nesse momento que conheci o Fernando Badia e sua família, todos muito bacanas.
Depois de 3 horas de uma viagem tranquila, chegamos na Pousada Pico do Papagaio quase na hora do almoço. 

Largamos as bagagens e rodamos pouco menos de dois quilômetros até o centro de Aiuruoca para tentarmos encontrar algum lugar para almoçar. Demos uma volta pela praça principal da cidade e nenhum sinal de carnaval... uma tranquilidade. Acontece que em Aiuruoca o Carnaval é comemorado uma semana antes! Segundo me informei, trata-se do primeiro Carnaval antecipado do Brasil. A história toda está em um link no final do post.
Igreja matriz. Foto de Fábio Fliess

Passamos em um Centro de Informações, onde fomos atendidos com a simpatia típica mineira, e conseguimos alguns mapas turísticos e informações sobre trilhas e cachoeiras da região. Acabamos escolhendo o restaurante "Dois Irmãos"... e que bela escolha!
Comida boa, atendimento legal e preço honesto. Recomendo.
Saindo do restaurante, acabamos resolvendo conhecer uma cachoeira próxima, e a escolhida foi a "Deus me Livre". Saímos da cidade, em direção ao Vale do Matutu e, numa curva após 2 km em estrada de terra, avistamos na margem direita a fazenda que marca o início da trilha. Deixamos os 3 carros em frente à porteira da fazenda e caminhamos uns 30 minutos por uma trilha com calha bem marcada até chegarmos na cachoeira. Essa cachoeira “Deus me Livre” além de muito bonita é próxima à cidade, é ótima para banho principalmente por causa de um poção com boa profundidade.
Trilha para a cachoeira Deus me Livre.
Gilmar e Alessandra na trilha para a Cachoeira Deus me Livre.
Foto de Fábio Fliess.
A noite, enquanto jantávamos, o Gláucio se juntou ao nosso grupo. O primeiro dia só não foi melhor por causa da decepção com a pizzaria "Dona Azeitona". Chegamos às 20h30; metade do grupo foi atendido somente às 22h e a outra metade conseguiu jantar apenas as 23h da noite. Nem tudo são flores.


Dicas:

Pousada Pico do Papagaio
Localização: Seguindo pela estrada que liga a MG-267 à Aiuruoca, a entrada da pousada fica na margem direita da pista, logo após a primeira entrada para a cidade.
Preços: Durante o período do Carnaval, nós pagamos R$ 140 de diária por casal.
Acomodações e café da manhã: O café da manhã é muito bom e está incluído no preço. As suítes são bem simples e limpas e a cama é boa.
Responsável: Dona Agda
Telefone: (35) 9827-1244
E-mail: contato@pousadapicodopapagaio.com.br

Centro de informações:
Telefone: (35) 3344-1924
Localização: Casa da Cultura, Praça Monsenhor Nágel nº 22

Carnaval antecipado:
http://www.aiuruocamg.com.br/site/carnaval-antecipado

domingo, 20 de maio de 2012

Pico do Inficionado, por Gilmar Oliveira

Características:
Altitude: 2.068m;
Duração: 4 a 5 horas (ida);
Distância: 11km.
A Caraça.
O Parque Natural do Caraça apresenta muitas atrações e uma grande variedade de atividades de aventura para os praticantes de ecoturismo, trekking e montanhismo. São cachoeiras, trilhas e montanhas que compõem uma parte da paisagem da Serra do Espinhaço que está localizada nos municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, no estado de Minas Gerais, a 120 km de Belo Horizonte. Dizem que a Serra lembra o rosto de um gigante deitado, daí a origem do nome Caraça (grande cara).

Parte plana, no início da trilha.

O Caraça também dá nome ao antigo colégio Caraça, onde importantes personalidades da história brasileira estudaram. O Parque compreende uma área de 11.233 hectares onde convivem ecossistemas da Mata Atlântica e do Cerrado. Nosso grupo já conhecia as trilhas da região quando esteve em outubro de 2007 e percorreu dois roteiros: a Cascatona e o Pico do Sol. Desta vez a idéia do nosso grupo seria tentar subir duas montanhas, sendo uma delas já definida: o Pico do Inficionado. Os picos do Parque Natural do Caraça somente podem ser acessados com a presença de guias registrados pelo próprio parque.
A serra do Caraça é composta por sete picos com variado grau de dificuldade de acesso: Verruguinha (1650), Três Irmãos ou Trindade (1675m), Conceição (1800m), Carapuça (1955m), Canjerana (1890m), Inficionado (2068m) e Pico do Sol (2072m).  

A Caraça e, à direita após a grota,
o Inficionado.

Antes de chegar a Santa Bárbara já havíamos feito contato com João Julio, um dos guias mais antigos do Caraça e que nos levara ao Pico do Sol em 2007. Tudo pronto para mais uma aventura, tratamos de chegar cedo à sede do Parque e rapidamente nos preparamos para iniciar a trilha. Nosso grupo foi composto por mim, Alê, Fábio, Rafael, Iza, Lidiane e o Miguel, de Belo Horizonte. Começamos a caminhar às 9h.

A trilha até o Pico do Inficionado possui 11km de extensão, sendo que apenas os 5 primeiros quilômetros são vencidos com grande facilidade, o que pode ser feito em 1h de caminhada leve, aproximadamente. Pouco à frente chega-se ao último ponto de água e, é importante levar no mínimo dois litros de água para vencer o restante do percurso até o cume, principalmente se o dia estiver muito quente e com sol forte.

A turma no "toca pra cima".

Um longo e forte trecho de subida é alcançado mais adiante, justamente após a trilha se dividir entre o caminho leva ao Pico do Verruguinha (à direita e em frente) e ao Pico do Inficionado (à esquerda). O dia estava perfeito e o sol de rachar, por isso a recomendação de proteção solar intensa e muita hidratação nas trilhas desta região, sempre. O primeiro trecho de subida é o mais difícil e pode ser vencido com aproximadamente 40 mim de muito esforço e algum cuidado nas passagens pela encosta, que não oferece grandes riscos.

Ao final desta subida existe um platô de onde se pode apreciar o belo visual do Parque e das montanhas ao redor. Chegamos a esse local após 2h de trilha, aproximadamente. O tempo total estimado para subir o Inficionado é de 4 a 5 horas (ida), dependendo das condições físicas do caminhante. A seqüência da trilha após o primeiro platô é um pouco mais suave e alterna raros trechos planos e lajes de pedra com inclinação razoável, que permite ao trekker manter um bom ritmo de subida. Nosso guia não estava muito bem devido a uma possível intoxicação alimentar, o que o levou a ter alguma dificuldade para conduzir nosso grupo deste ponto até o cume. 

Trecho em lage de pedra antes da
subida final.

Às 12h avistamos nosso objetivo: o cume do Inficionado, localizado sobre uma rampa de subida forte é um pouco acidentado. Mais trinta minutos de trilha e estaríamos alcançando a base do cume. Após 3 horas e meia de intensa caminhada sob um forte sol, exatamente às 12h30, chegamos ao cume do Inficionado. O visual é fantástico e as fotos comprovam que se trata de um dos lugares mais belos da Serra do Espinhaço em Minas Gerais. O Inficionado é reconhecidamente o Pico mais exigente do Parque Natural do Caraça, devido principalmente aos trechos acidentados e íngremes que compõem boa parte da trilha. Em grau de dificuldade, logo após está o Pico do Sol, apesar de ser um pouco mais alto e possuir uma trilha mais extensa do que o Inficionado.
João Julio (guia), Gilmar, Iza, Fábio, Miguel, Alê, Rafael e Lidiane no Pico do Inficionado.
Permanecemos no cume aproximadamente por 1 hora, tempo suficiente para gravar algumas belas imagens, tirar muitas fotos e comer. Iniciamos a descida pouco antes das 14h e o tempo indicava que chegaríamos antes do entardecer. Como esperado, os trechos iniciais do retorno exigiram muito das articulações de joelhos e tornozelos, devido ao elevado grau de inclinação da trilha. Fábio sofreu uma leve torção de joelho, mas, apesar disso, prosseguiu sem maiores problemas. Vencida a parte mais íngreme da trilha, depois de passar novamente pelo último ponto de água, o retorno foi muito tranqüilo e a única preocupação de todos foi registrar as belas imagens daquele final de tarde. Aproximadamente às 17h30 estávamos de volta ao Santuário do Caraça e a cerveja gelada foi a merecida recompensa por nosso esforço naquele dia.

Mais informações sobre o Parque do  Caraça em: http://www.santuariodocaraca.com.br/inicial.php


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Pico do Glória, por Fábio Fliess

Características:
Altitude: 1900m;

Duração: 2h30 a 4h (ida);

Distância: 5,6km (ida).


O Glória é uma montanha que se destaca no vale do Bonfim


Fazia bastante tempo que pensávamos em subir essa linda montanha, que se destaca no vale do Bonfim e cujos paredões ficam próximos da cachoeira Véu da Noiva. Cerca de um mês depois do nosso retorno da Cordilheira Blanca, aproveitamos um bonito domingo de sol para encarar essa exigente trilha. O grupo era o mesmo da viagem ao Peru: eu, Rafael, Gilmar, Alessandra e Evandro.

Como essa montanha se encontra dentro dos limites do Parque Nacional da Serra dos Orgãos, é preciso pagar e registrar sua entrada na guarita do parque. São cobradas as taxas de entrada (R$ 2 para moradores do entorno ou R$ 10 para os demais) e também de uso de trilha de montanha (R$ 15). Quem chega de carro, pode deixá-lo no estacionamento de uma das pousadas próximas. Quem depende de transporte público, deve usar os ônibus Bonfim (linha 611) ou Pinheiral (linha 616), que saem do terminal de Corrêas. A segunda linha é a ideal, pois deixa o usuário mais próximo da portaria.

Para chegar à montanha usamos inicialmente a mesma trilha do Véu da Noiva, uma das caminhadas mais freqüentadas deste lado do parque. O acesso à trilha do Glória é feito pela parte superior da cachoeira, subindo pelo leito do rio. Foi preciso MUITA atenção nesse trecho, pois a rocha em alguns pontos é lisa como sabão e fica fácil escorregar. Fiquei imaginando como seria essa subida na estação chuvosa.


Começando o trecho no leito do rio


Fomos subindo com calma, por cerca de 20 minutos até um ponto onde fica óbvio que não é possível passar pelo rio. A trilha para o Pico do Glória começa a direita, perto da laje de pedra. O Evandro, que já havia feito essa montanha, nos alertou para o “toca para cima” de 380 metros de desnível e bastante inclinado. Paramos para beber água, comer alguma coisa e tomar fôlego antes de encarar esse trecho.

De fato, a subida é muito puxada e com trechos onde era preciso usar todos os apoios disponíveis. Um desses pontos é um “degrau” com uns 2 metros de altura. Por sorte, haviam troncos para auxiliar na subida. Logo em seguida, a trilha cruza uma laje de pedras por um bom trecho e volta a virar trilha mais acima. Mas ainda restava mais subida!


Dá para notar a inclinação nesse trecho!


Todo o esforço é recompensado quando alcançamos a crista da montanha. Um visual incrível que te faz recuperar o fôlego para o trecho final. Nesse ponto, é recomendável a presença de um montanhista experiente, pois a passagem é bastante exposta e não permite erros.

Uma vez no topo, assinamos o livro de cume e curtimos uma das paisagens mais bonitas de toda a serra.


O visual do vale do Bonfim visto do cume do Glória


Observação importante: recentemente, todas as tarifas do Parque Nacional foram majoradas em 10%.