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Primeira visão do parque, ainda na estrada, rumo a portaria da Laguna Amarga. |
Para chegar até lá, pegamos um voo para Santiago e uma conexão para Punta Arenas, onde chegamos a noite. Ficamos pouco tempo em PA e na tarde do dia seguinte seguimos de ônibus para Puerto Natales, que é a cidade mais próxima ao parque.
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A tradicional foto do grupo no início da caminhada. O local da foto é a portaria da Laguna Amarga, local onde fomos deixados pelo ônibus. |
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Trilha para o camping Seron. |
Começamos
a caminhada por volta das 17h e chegamos no Camping Seron mais ou menos às 23h,
junto com o pôr do Sol. O esforço desse dia nos deixou bem cansados e com a
certeza de que não deveríamos ter começado a caminhar tão tarde.
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Nosso café da manhã no camping. |
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Visual da trilha para o Refúgio Dickson. |
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O refúgio Dickson. |
Fomos
informados pela guarda do parque que o incêndio havia se intensificado e que o
camping Los Perros estava fechado mas que poderíamos fazer um bate-e-volta sem
problemas. Como passamos a ter muito tempo disponível, já que não poderíamos
fazer o circuito completo, resolvemos tirar o dia seguinte de folga e deixar o
bate-e-volta em Los Perros para o dia 31. Nós passaríamos o reveillon no
refúgio Dickson e voltaríamos para o acampamento anterior, Serón, no dia
primeiro.
Decidimos
montar as barracas bem próximas umas das outras para tentar aumentar a
resistência contra o vento. A minha barraca foi montada por último com a ajuda
do Fábio e da Letícia. Quando terminamos, deu tempo apenas de eu colocar a
minha mochila dentro dela e uma rajada de vento mais forte simplesmente a
achatou contra o chão, quebrando a estrutura de alumínio e rasgando o
cobre-teto!
Acabei
conseguindo acomodação no refúgio por $ 10.000. Havia também barracas para
alugar por $ 7.000, mas achei que a diferença de preço não fazia isso valer a
pena. Acabou sendo uma noite agradável. Fábio, Letícia, Gilmar e Alessandra
foram para o refúgio e jantamos sanduíches de carne. Eu bebi umas 4 latinhas de
Austral Lager... Gostei muito! Depois que a turma voltou para as barracas eu
ainda fiquei bebendo com os outros montanhistas que estavam no refúgio até 1h
da manhã.
Quando a
gente olhava para as montanhas na direção das Torres, víamos as nuvens
coloridas pelas chamas que consumiam a vegetação do parque. Um espetáculo muito
triste.
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Leticia e Gilmar no Refúgio Dickson enquanto aguardávamos os hambúrgueres. |
Nesse
momento a minha maior preocupação era arrumar acomodação para dormir quando
chegássemos no Serón, já que eu não tinha barraca e também já não poderia
contar com a possibilidade de alugar uma barraca do refúgio! As barracas que
meus amigos estavam levando eram para uma pessoa, com conforto. Enfiar 3
pessoas numa barraca dessas seria um problema mas parecia a única opção.
Comida
também era um problema, já que nos preparamos para comprar parte dos alimentos
nos refúgios por onde passaríamos. Conosco, levávamos apenas uma quantidade
pequena para emergências.
Arrumamos
tudo e saímos de Dickson às 11h. Naquela altura, com o corpo mais acostumado ao
exercício, a caminhada parecia mais fácil para todos. Mesmo com uma chuva fina
que insistia em cair. A não ser na parte da trilha próxima ao mirador do lago
Paine. O vento, que já estava forte no dia anterior, nesse dia parecia estar
com o dobro da força. A Alessandra estava caminhando bem a frente do grupo,
depois seguíamos eu e Gilmar e bem mais atrás, o Fábio e a Letícia. O vento era
tão forte que eu só conseguia seguir muito devagar, de costas para uma pirambeira
de 150m que termina no lago e forçando os bastões de caminhada contra a parede
de pedra, que se estendia por boa parte do lado direito da trilha. Em um certo
momento resolvi arriscar uma caminhada mais rápida de frente para a trilha e o
vento me fez subir uns 2m a tal rocha. Quase pirei tentando descer dali antes
que o vento desse uma trégua e eu desabasse. Parecia um skatista em um
halfpipe. Depois o Fábio me contou que passou pela mesma situação...
Continuei
caminhando com muita dificuldade... O barulho do vento era muito alto e a força
dele fazia a mochila zunir ao mesmo tempo que eu era praticamente açoitado
pelas fivelas da mochila. Posso dizer que entrei na porrada! Em um dado momento
passei pelo Gilmar caído no chão. Ele havia se jogado atrás de um arbusto
grande para tentar não ser lançado montanha abaixo. Seguimos juntos, caminhamos
um pouco mais e finalmente conseguimos sair daquele inferno. Esperamos uns 10
minutos pelo Fábio e pela Letícia. Preocupados, resolvemos tentar voltar para
socorrê-los caso fosse necessário. Não conseguimos! Em um determinado ponto de
uma curva parecia que havia uma parede de vento.
Ficamos
aliviados quando pouco depois os dois apareceram e saíram do vento.
Final de dia no Camping Seron. Foto de Fábio Fliess. |
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A Guarderia. Foto de Gilmar Oliveira. |
Achei
estranho haver gente dentro da Guarderia, já que ela deveria estar fechada.
Quando entrei, encontrei uma família de 12 montanhistas chilenos com os quais
eu havia feito amizade no dia anterior. Eles estavam fazendo o trekking sem
barraca, já que o parque quando não oferece refúgio, dispõem de barracas para
alugar. Com a guarderia fechada, eles ficaram "sem teto", na mesma
situação que eu, e forçaram uma das portas em busca de abrigo. Sabendo da minha
situação, eles pegaram uma das barracas do parque e me emprestaram para que eu
passasse aquela noite.
No dia
seguinte devolvi a barraca arrumada e limpa. Os chilenos haviam dado uma boa
faxina na guarderia e arrumado tudo.
Partimos
todos juntos e umas 13h já estávamos na Laguna Amarga esperando pelo ônibus que
nos levaria à Puerto Natales.
Apesar
de não termos conseguido fazer o circuito completo mais o "W", como
havíamos planejado, ficamos bem e posso dizer que valeu a pena.
A
tristeza maior ficou por conta de ver tamanho patrimônio sendo queimado pela
irresponsabilidade de um idiota que resolveu queimar o papel higiênico usado em
vez de enterrá-lo, por exemplo.
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Trilha para o Dikison. Foto de Fábio Fliess. |
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Gilmar, Alessandra e eu. Foto de Fábio Fliess. |
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Alessandra rumo ao refúgio Dickson. |
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Final do dia no camping Seron. |
8 comentários:
Ótimo post e dicas. Vou conhecer a Patagônia em maio. Acho que farei algumas trilhas tbm. Alguém pode me indicar um bom seguro viagem, p/ esse tipo de turismo de aventura? Abç, Vicente.
Adoro trilhas e sempre que tenho tempo, acompanho o blog. Mas Patagônia eu nunca fui. Vicente, vc perguntou sobre seguro, esta empresa tem um plano p/ sport e turismo de aventura: www.touristcard.com.br Se eu ñ me engano, é esse o nome: Travel Sport abraço Samuel
Oi Vicente!
tudo bem?
fiquei feliz pelo seu comentário. Que bom que o blog tenha sido útil a você. Por quais cidades você pretende passar?
Bem, sobre o seguro viagem, não lembro de ter feito para essa ida à Patagônia.
Porém normalmente eu uso o Vital Card (http://www.vitalcard.com.br/). Sinceramente, não sei se existe um seguro viagem 100% confiável, mas esse já me tirou de apuros no interior do Peru, quando precisei de atendimento médico e fui bem atendido.
Se avise caso eu possa ajudar com algo mais.
Abraço,
Rafael
Oi Samuel,
obrigado por acompanhar o blog.
Garanto que a Patagônia é inesquecível.
Vou deixar anotada essa dica sobre o Travel Sport para uma consulta futura. Você chegou a usá-lo ou conhece alguém que o tenha experimentado?
abraço!
Que viagem incrível. Adorei! Abraço.
oi Marcia!
que bom que você gostou.
Obrigado por acompanhar o blog.
Abraços.
Prezados Senhores(as),
Falo de Santa Catarina, Brasil. E gostaria de entrar em contato com este blog oportunamente.
Solicito; por gentileza, que me enviem um email específico para contato.
Desde já, muito obrigado. Fernando Tavares.
cadmet@bol.com.br
Ótima postagem com dicas interessantes sobre este lindo local.
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