quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Torres del Paine, por Rafael Guerra

Primeira visão do parque, ainda na estrada, rumo a portaria da Laguna Amarga.
Em 26 de dezembro de 2011, eu, Fábio, Letícia, Gilmar e Alessandra partimos para uma viagem de 14 dias pela Patagônia com o objetivo de fazermos o trekking do circuito (O+W) do famoso Parque Nacional Torres del Paine.
Para chegar até lá, pegamos um voo para Santiago e uma conexão para Punta Arenas, onde chegamos a noite. Ficamos pouco tempo em PA e na tarde do dia seguinte seguimos de ônibus para Puerto Natales, que é a cidade mais próxima ao parque.

A tradicional foto do grupo no início da caminhada.
O local da foto é a portaria da Laguna Amarga, local onde fomos deixados pelo ônibus.
 













Trilha para o camping Seron.
Ficamos apenas um dia em Natales, o suficiente para descansarmos um pouco da viagem e comprarmos mantimentos para o trekking no Supermercado. Partimos de nosso hostel após o almoço, no início da tarde de 28 de dezembro rumo à portaria Laguna Amarga, onde chegamos às 16h30, após duas horas de ônibus e fomos avisados por um guarda-parque que o circuito estava fechado devido a um incêndio e que só poderíamos seguir até o refúgio Grey. Resolvemos iniciar assim mesmo o trekking, acreditando que em 2 ou 3 dias a passagem já estaria liberada. O pior que poderia acontecer seria termos que voltar tudo e isso não seria nenhum esforço absurdo.
Começamos a caminhada por volta das 17h e chegamos no Camping Seron mais ou menos às 23h, junto com o pôr do Sol. O esforço desse dia nos deixou bem cansados e com a certeza de que não deveríamos ter começado a caminhar tão tarde.
Nosso café da manhã no camping.
No dia seguinte, apesar da experiência do dia anterior, acordamos tarde e fizemos questão de fazer tudo bem devagar, sem pressa. Tomamos um café da manhã reforçado e saímos às 13h30 rumo ao camping do Refúgio Dickson. Uma caminhada muito bonita, com as montanhas de um lado e o rio Paine do outro. Cruzamos um passo com vento muito forte e continuamos na trilha, que seguia acompanhando toda a extensão do Lago Paine. Após 2h30 de caminhada, encontramos um pequeno bosque e paramos ali por 50 minutos para o almoço. Depois de mais umas 3 horas de caminhada, paramos novamente para tomar café. Foi muito diferente e legal essa dinâmica de parar pouco e quando parar, em vez de lanchar barrinhas de cereais e outras coisas rápidas, fazer um almoço leve com sopa, macarrão etc.
Visual da trilha para o Refúgio Dickson.
O refúgio Dickson.
Chegamos no Refúgio Dickson umas 21h30 e ventava bastante.
Fomos informados pela guarda do parque que o incêndio havia se intensificado e que o camping Los Perros estava fechado mas que poderíamos fazer um bate-e-volta sem problemas. Como passamos a ter muito tempo disponível, já que não poderíamos fazer o circuito completo, resolvemos tirar o dia seguinte de folga e deixar o bate-e-volta em Los Perros para o dia 31. Nós passaríamos o reveillon no refúgio Dickson e voltaríamos para o acampamento anterior, Serón, no dia primeiro.
Decidimos montar as barracas bem próximas umas das outras para tentar aumentar a resistência contra o vento. A minha barraca foi montada por último com a ajuda do Fábio e da Letícia. Quando terminamos, deu tempo apenas de eu colocar a minha mochila dentro dela e uma rajada de vento mais forte simplesmente a achatou contra o chão, quebrando a estrutura de alumínio e rasgando o cobre-teto!
Acabei conseguindo acomodação no refúgio por $ 10.000. Havia também barracas para alugar por $ 7.000, mas achei que a diferença de preço não fazia isso valer a pena. Acabou sendo uma noite agradável. Fábio, Letícia, Gilmar e Alessandra foram para o refúgio e jantamos sanduíches de carne. Eu bebi umas 4 latinhas de Austral Lager... Gostei muito! Depois que a turma voltou para as barracas eu ainda fiquei bebendo com os outros montanhistas que estavam no refúgio até 1h da manhã.

Quando a gente olhava para as montanhas na direção das Torres, víamos as nuvens coloridas pelas chamas que consumiam a vegetação do parque. Um espetáculo muito triste.
Leticia e Gilmar no Refúgio Dickson enquanto aguardávamos os hambúrgueres.
No dia 30 acordei disposto a não fazer nada além de curtir a folga da caminhada. Afinal, já havíamos andado mais de 36km e as mochilas estavam bem pesadas! Quando saí do refúgio para tomar o café da manhã com os amigos que estavam acampados, fui abordado por um guarda que me disse que o parque estava sendo evacuado e que deveríamos partir também. Os refúgios Los Perros e Serón já estavam fechados e o Dickson seria fechado em breve também. Já podíamos ver a movimentação dos funcionários retirando o material do refúgio.
Nesse momento a minha maior preocupação era arrumar acomodação para dormir quando chegássemos no Serón, já que eu não tinha barraca e também já não poderia contar com a possibilidade de alugar uma barraca do refúgio! As barracas que meus amigos estavam levando eram para uma pessoa, com conforto. Enfiar 3 pessoas numa barraca dessas seria um problema mas parecia a única opção.
Comida também era um problema, já que nos preparamos para comprar parte dos alimentos nos refúgios por onde passaríamos. Conosco, levávamos apenas uma quantidade pequena para emergências.

Arrumamos tudo e saímos de Dickson às 11h. Naquela altura, com o corpo mais acostumado ao exercício, a caminhada parecia mais fácil para todos. Mesmo com uma chuva fina que insistia em cair. A não ser na parte da trilha próxima ao mirador do lago Paine. O vento, que já estava forte no dia anterior, nesse dia parecia estar com o dobro da força. A Alessandra estava caminhando bem a frente do grupo, depois seguíamos eu e Gilmar e bem mais atrás, o Fábio e a Letícia. O vento era tão forte que eu só conseguia seguir muito devagar, de costas para uma pirambeira de 150m que termina no lago e forçando os bastões de caminhada contra a parede de pedra, que se estendia por boa parte do lado direito da trilha. Em um certo momento resolvi arriscar uma caminhada mais rápida de frente para a trilha e o vento me fez subir uns 2m a tal rocha. Quase pirei tentando descer dali antes que o vento desse uma trégua e eu desabasse. Parecia um skatista em um halfpipe. Depois o Fábio me contou que passou pela mesma situação...
Continuei caminhando com muita dificuldade... O barulho do vento era muito alto e a força dele fazia a mochila zunir ao mesmo tempo que eu era praticamente açoitado pelas fivelas da mochila. Posso dizer que entrei na porrada! Em um dado momento passei pelo Gilmar caído no chão. Ele havia se jogado atrás de um arbusto grande para tentar não ser lançado montanha abaixo. Seguimos juntos, caminhamos um pouco mais e finalmente conseguimos sair daquele inferno. Esperamos uns 10 minutos pelo Fábio e pela Letícia. Preocupados, resolvemos tentar voltar para socorrê-los caso fosse necessário. Não conseguimos! Em um determinado ponto de uma curva parecia que havia uma parede de vento.
Ficamos aliviados quando pouco depois os dois apareceram e saíram do vento.
Final de dia no Camping Seron.
Foto de Fábio Fliess.
A Guarderia.
Foto de Gilmar Oliveira.
Chegamos ao camping Seron às 20h45 e era possível avistar a fumaça do incêndio ao longe.
Achei estranho haver gente dentro da Guarderia, já que ela deveria estar fechada. Quando entrei, encontrei uma família de 12 montanhistas chilenos com os quais eu havia feito amizade no dia anterior. Eles estavam fazendo o trekking sem barraca, já que o parque quando não oferece refúgio, dispõem de barracas para alugar. Com a guarderia fechada, eles ficaram "sem teto", na mesma situação que eu, e forçaram uma das portas em busca de abrigo. Sabendo da minha situação, eles pegaram uma das barracas do parque e me emprestaram para que eu passasse aquela noite.
No dia seguinte devolvi a barraca arrumada e limpa. Os chilenos haviam dado uma boa faxina na guarderia e arrumado tudo.
Partimos todos juntos e umas 13h já estávamos na Laguna Amarga esperando pelo ônibus que nos levaria à Puerto Natales.

Apesar de não termos conseguido fazer o circuito completo mais o "W", como havíamos planejado, ficamos bem e posso dizer que valeu a pena.

A tristeza maior ficou por conta de ver tamanho patrimônio sendo queimado pela irresponsabilidade de um idiota que resolveu queimar o papel higiênico usado em vez de enterrá-lo, por exemplo.

Outras fotos que gostamos:
Trilha para o Dikison.
Foto de Fábio Fliess.
Gilmar, Alessandra e eu.
Foto de Fábio Fliess.
Alessandra rumo ao refúgio Dickson.

Final do dia no camping Seron.


domingo, 27 de julho de 2014

Travessia Petrópolis-Teresópolis, por Rafael Guerra

Na portaria do Parnaso, no Vale do Bonfim.
Da esquerda para a direita: Jonathas Scott; Alexandre Mendes; Lidiane Araújo; Rodrigo França; Ana Paola; Michelle Soares; Daniel dos Santos; Helene Moretti e Daniela Lima. 
Foto de Michelle Soares.

Eu já estava há algum tempo com vontade de organizar uma excursão com a turma aqui de Jacarepaguá e quando o Alexandre Mendes me falou sobre a ideia de agitarmos uma travessia, eu me animei e topei na hora.
Formamos um grupo de 10 pessoas principalmente com a turma d’O Muro, nossa associação de escaladores e amigos. Infelizmente nem todos que quiseram embarcar nessa trip conseguiram nos acompanhar devido à lotação nos campings e abrigos do PARNASO. Coisa de alta temporada...

Aproveitamos um feriado municipal inesperado, decretado aqui no Rio na 6ª feira (04/07), devido à um jogo da Copa do Mundo no Maracanã. Às 6 da manhã nos encontramos em Jacarepaguá, e logo a van do Júnior chegou para nos levar até a portaria do parque no Vale do Bonfim. Após uma viagem rápida chegamos pouco depois das 8 horas e fizemos o “check in”, aproveitamos para os últimos ajustes nas mochilas e partimos sem pressa. Na verdade, acabamos demorando muito e saímos tarde... quase 9h30.
Vale do Bonfim. Em direção à bifurcação para o Véu da noiva.
Foto de Rodrigo França.
Seguimos devagar e quase sem parar até a Pedra do Queijo, onde fizemos algumas fotos e comemos rapidamente. Depois disso, uma nova parada, no Ajax, para reabastecermos os cantis e (mais uma vez) o estômago.
Fomos subindo sem pressa a exigente Isabeloca, contemplando as montanhas da região. O dia estava muito bonito e o Chapadão, impressionante como sempre. A vontade que me dá sempre que  chego naquele ponto é ficar relaxando ao som do vento e curtindo o visual dos campos de altitude. Acho que é um dos meus lugares preferidos.
Jonathas Scott e Rodrigo França na Pedra do Queijo.
Foto de Rodrigo França.
Chegamos no Açú às 14h30 com a bela recepção do Amilton e montamos as barracas no camping próximo ao Abrigo. O Jonathas foi sagaz e tomou o cuidado de reservar o banho da turma toda assim que chegamos. Isso agilizou muito. Depois dos banhos, nos reunimos numa pedra próxima ao acampamento e preparamos o jantar enquanto conversávamos e ouvíamos Brasil x Colômbia pelo celular da Ana Paola.
Satisfeitos com o placar do jogo e bem alimentados, fomos dormir às 8h40.
Às 5 da matina levantamos eu, Rodrigo, Daniel, Daniela e Helene e fomos para o mirante, ver o Sol nascer.
Nascer do Sol no Açú.
Foto de Rafael Guerra.
Retornamos ao acampamento às 6h30 para um rápido café da manhã e começamos a andar às 7h30. Como a minha última travessia havia sido há 3 anos, algumas partes haviam mudado, mas nada demais. Na verdade fiquei com a impressão que a trilha está muito melhor sinalizada!
Quase chegando no Elevador, a Lidiane enfiou o pé em um buraco e bateu forte com o joelho numa pedra. Ficamos preocupados e de olho, mas ela continuou andando bem.
Às 12h15 chegamos no Vale das Antas e fizemos um lanche de 15 minutos. Menos de uma hora depois, estávamos no Vale dos 7 Ecos.
A turminha reunida no Dinossauro.
Foto de Michele Soares.
No Dinossauro, com a Bandeira!
Foto de Michele Soares.
Cansado depois da longa caminhada, foi subindo o Sino em direção ao Cavalinho. O cavalinho é sempre um lance que requer uma atenção maior com o grupo, mas todos mandaram bem e conseguimos passar todo mundo em cravados 15 minutos!
Chegamos no Abrigo às 14h40. O tempo passa rápido quando a gente se diverte e a impressão que eu tenho é que após montarmos as barracas e tomarmos banho já havia começado a escurecer. Nós estendemos os isolantes térmicos na grama e fizemos um jantar coletivo, que mais parecia um rodízio de petiscos!
Como dormimos cedo, às 6 da manhã já estavam todos acordados. Ventava moderadamente e havia um pouco de neblina cobrindo o cume, mesmo assim resolvemos subir, já que parte do pessoal ainda não conhecia o cume do Sino. Lá em cima o vento estava mais forte e garoava um pouco. Ficamos só alguns minutos para umas fotos e voltamos para o camping.
Partimos para Teresópolis às 9h30, após o  café, e às 12h15 todo o grupo já estava reunido na barragem. Como havíamos marcado o resgate para as 14 horas, após uma sessão de alongamento comandada pela Ana Paola, descemos a pé e paramos em um bar quase em frente à portaria de Teresópolis. Algumas cervejas e sardinhas fritas depois a van chegou e retornamos satisfeitos para o Rio.
Impressão totalmente positiva sobre a caminhada e sobre a companhia. Até a próxima!

Descanso na Pedra da Baleia.
Foto de Rafael Guerra.
Jonathas no relax.
Foto de Rodrigo França.
Helene Moretti, Michelle Soares, Daniel dos Santos, Jonathas Scott e Rodrigo França no cume do Açú.
Foto de Rodrigo França.
Nosso jantar no Açú.
Foto de Rodrigo França.







sexta-feira, 20 de junho de 2014

Travessia da Serra do Papagaio - Dia 4, por Fabio Fliess



Já havíamos combinado na noite anterior de acordar bem cedo no último dia, por volta das 5h30, preparar um café e iniciar a descida por volta das 7h.  Assim chegaríamos cedo em Vargem e aguardaríamos o resgate na mercearia ou no bar do vilarejo! E assim fizemos.  
Durante a arrumação das mochilas, ainda encontrei tempo para registrar um bonito nascer do sol. A única coisa ruim foi ter que guardar a barraca bastante molhada pela condensação da noite. Por volta das 6h45 já estávamos alimentados e praticamente prontos para começar a caminhar.

Morro do Chapéu, logo depois de levantarmos acampamento.
Foto: Fabio Fliess


As 7h15 colocamos as mochilas (felizmente, mais leves) nas costas e começamos a descida até o bairro da Vargem.  Sabíamos que hoje seria o trecho mais curto de toda a travessia, e caminhávamos em ritmo moderado.  No primeiro trecho de descida, a trilha é bastante erodida e com muitas marcas de motos. Descemos com cuidado, porque escorregar nesse terreno é muito fácil. 
Com cerca de 1 hora de caminhada, entramos na mata fechada e a descida continuou forte por mais uns 10 ou 15 minutos. Depois a trilha praticamente estabiliza no plano e cruza um riacho, onde pegamos um pouco de água, mas apenas o suficiente para chegarmos ao bairro.  Ainda faltavam mais 3,5km de caminhada. Como diz o Rafael, um “belisquinho”!

Marcelo Garcia e o Morro do Chapéu ao fundo!!
Foto: Gustavo Machado


Recompostos pela água geladinha, retomamos nossa caminhada através de um pequeno trecho de mata, até sair num grande descampado com algumas cercas e muitas trilhas confusas. Nesse ponto não seguimos o tracklog do GPS e saímos da crista que ele indicava. Cerca de 5 minutos depois saímos ao lado de uma casa, onde a moradora nos indicou o caminho para Vargem.
A partir desse ponto, seguimos por um estradão que primeiro corta uma grande plantação de eucaliptos e depois segue em terreno aberto.  A nossa direita, ficava bastante claro o porquê do nome Morro do Chapéu!  O dia estava ensolarado e a moral estava alta... Agora faltava muito pouco!

Caminhando no estradão depois da trilha, com o Morro do Chapéu ao fundo
Foto: Gustavo Machado


A turma caminhando no meio da floresta de eucaliptos
Foto: Gustavo Machado

O bosque de eucaliptos
Foto: Gustavo Machado

Por volta das 10h15 chegamos todos juntos, depois de longos 51km de trilha, ao bairro da Vargem.  Fomos direto para a Mercearia do Edvaldo, onde finalmente tiramos as mochilas das costas.  Fui até o bar da Dona Francisca que nos fez a gentileza de entrar em contato com o Marcus. Confirmei nosso resgate para o meio dia e voltamos para a mercearia onde “detonamos” uma Coca de 2 litros geladíssima. Hidratamos com bastante cerveja gelada e comemos pastel de queijo e queijo mussarela feito na cooperativa ao lado da mercearia.  Quem tiver a oportunidade, compre o queijo mussarela e/ou parmesão “Da Lage” (a marca da cooperativa). Uma delícia!
Para aqueles que não fecharam antecipadamente o resgate, existe um ônibus que sai de Vargem para Baependi às 9h da manhã.  Nesse caso, é imperativo que a caminhada a partir do Chapéu comece bem cedo.
As 12h em ponto, mesmo com um pneu da Kombi furado, o Marcus apareceu para nos resgatar. Compramos uns queijos, fechamos a conta na mercearia, arrumamos as mochilas no veículo e embarcamos de volta para Aiuruoca, mas usando um caminho diferente do ônibus. Os primeiros 24kms são em estrada de terra e os 50kms restantes em uma pavimentada em ótimo estado.
As 14h chegamos na Pousada Ajuru, onde descarregamos as cargueiras e conseguimos tomar um banho. Despedimos-nos do Marcus e seguimos para o centro da cidade, para almoçarmos no restaurante da Pousada Dois Irmãos, que tínhamos aprovado no Carnaval. Chegamos em cima da hora do restaurante fechar, mas ainda conseguimos comer uma deliciosa costelinha. Para fechar com chave de ouro nossa passagem por Aiuruoca.
Findo o almoço, pegamos estrada novamente. Tocamos direto até Lima Duarte onde fizemos uma rápida parada para tomar um café, e depois seguimos até Itaipava. Finalmente chegamos em casa as 19h30, com aquela gostosa sensação de dever cumprido.
Grandes amigos, uma travessia memorável, muitas histórias e sorriso no rosto. É assim que a gente gosta de passar o feriado!

Dicas
Táxi: Marcus (celular 35 9944-1601) – Proprietário da Pousada Ajuru, é guia na região e possui uma kombi que usa no transporte. Muito atencioso!
Onde ficar 1: Pousada Ajuru (telefone 35 3344-1601) – Localizada na entrada da cidade. Site:  http://www.ajuru.com.br
Onde ficar 2: Pousada Pico do Papagaio (celular 35 9827-1244) – Localizada a 3km do centro, possui uma vista privilegiada da cidade. Site: http://www.pousadapicodopapagaio.com.br
Onde comer: Restaurante Dois Irmãos (telefone 35 3344-1373) – Localizado no piso inferior da Pousada Dois Irmãos, fica no Centro da cidade, próximo da matriz.

O imponente Morro do Chapéu
Foto: Fabio Fliess

 Paisagens incríveis durante toda a travessia
Foto: Fabio Fliess

 Já no bairro de Vargem, esperando o resgate.
Foto: Fabio Fliess

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Travessia da Serra do Papagaio - Dia 3, por Fabio Fliess




Letícia na "borda infinita" da Cachoeira da Juju
Foto: Fabio Fliess


Eu e Letícia acordamos bem cedo, pouco depois das 6h.  Como sabíamos que o dia de hoje seria mais “tranquilo”, fazíamos tudo sem pressa. Fizemos sopa e chá para reforçar o café, já que não havíamos jantado na noite anterior.  Depois que todos prepararam seu desjejum, começamos calmamente a desmontar o acampamento.  Assim que terminei de arrumar a mochila, ainda sobrou um tempo para tirar várias fotos da Cachoeira da Juju, usando a “borda infinita” como moldura.
Um pouco antes das 9h, começamos a procurar um ponto tranquilo para atravessar o rio.  Aqueles que estavam com botas de cano alto e com o Gore-Tex em dia usufruíram o luxo de atravessar o rio sem a trabalheira do “tira bota-molha pé-seca pé-põe bota”. Eu não estava nesse grupo!
Do outro lado do rio, a trilha já começava com uma subida “daquelas”, castigando as pernas.  Para compensar, o visual do rio à esquerda e do vale à direita era impressionante.  Logo o aclive diminuiu e aproveitamos os diversos mirantes para tirar muitas fotos.

Último ponto de água do terceiro dia.
Foto: Gustavo Machado

Após cerca de 1h15 de caminhada, com a trilha alternando entre subidas fortes e trechos planos, avistamos uma casa no vale a esquerda, junto a um riacho. Descemos até a casa, e enchemos nossos cantis, pois não teríamos outra oportunidade durante esse dia. Aproveitamos a pausa e fizemos um lanche reforçado, pois a partir desse ponto teríamos inúmeras subidas para encarar. 


Adriano Fiorini "finalizando" mais uma das intermináveis subidas
Foto: Gustavo Machado


Retomamos a caminhada por volta das 11h, já enfrentando uma subida que parecia interminável. Com o sol forte, a sensação de deja-vu era forte. Uma subida, um trecho plano, outra subida, etc. Sempre igual... Durante uma dessas subidas, avistamos finalmente o Morro do Chapéu, onde iríamos acampar.
Encaramos mais umas 2h de subidas e descidas, que cansavam demais. Um pouco antes das 14h chegamos a um bonito mirante, onde a trilha desce à direita, entrando em uma pequena mata. Quando saímos da mata, encaramos de frente o Morro do Chapéu. Andamos mais uns 10 minutos num grande campo aberto de capim ralo e começamos a procurar um local para montar as barracas. Encontramos um local relativamente tranquilo e preparamos tudo.

 A turma chegando ao acampamento na base do Morro do Chapéu
Foto: Fabio Fliess

Como era cedo e o sol ainda estava alto, ficamos um bom tempo conversando. Por volta das 16h, resolvemos fazer um “almo-janta”.  Gustavo e Fiorini resolveram encarar a subida do Chapéu, chegando ao cume principal em menos de 20 minutos.
Por volta das 17h15 subimos uma pequena encosta para apreciar o por do sol.  Poucos minutos depois, Gustavo e Fiorini se juntaram a gente. Infelizmente, uma grande nuvem acabou com a brincadeira e frio chegou com força.
Por volta das 18h já estávamos confinados na barraca e em pouco tempo, apagamos.
 
 Ao lado do nosso acampamento
Foto: Gustavo Machado

 Entardecer no Morro do Chapéu
Foto: Fabio Fliess

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Travessia da Serra do Papagaio - Dia 2, por Fabio Fliess



Letícia e Gustavo curtindo o nascer do sol.
Foto: Fabio Fliess

 A noite foi bem fria (segundo o termômetro que o Garcia levou, a mínima foi de 5 graus, mas a sensação térmica devia bater no negativo), mas acordamos bem cedo para ver o sol nascer. Ficamos cerca de meia hora curtindo o espetáculo, tirando fotos e conversando.
Por volta das 6h, já começamos a preparar o café da manhã, arrumar os equipamentos e preparar as mochilas.  Existia uma preocupação no ar, pois sabíamos que o segundo dia seria o mais puxado de toda a travessia, e no dia anterior não havíamos conseguido chegar ao ponto desejado para acampar. Ou seja, o mais difícil ainda poderia ficar pior.  Por conta disso, nem consideramos uma possível subida ao cume do Morro da Bandeira e às 8h retomamos nossa caminhada.
Andamos cerca de 800m praticamente no plano e nos deparamos com um curral de pedras que logo identificamos como o Retiro dos Pedros.  Isso acabou nos dando um ânimo a mais, pois o “prejuízo” do dia anterior foi pequeno.  Andamos mais 200m e atravessamos um riacho onde pegamos um pouco de água (não confiamos muito na qualidade da água). Nesse dia teríamos uma fartura de pontos de água e isso não nos preocupava (pelo menos não nesse momento).
Logo a trilha entra na mata fechada e segue assim durante um bom tempo, contornando o Pico da Canjica pela esquerda. Após algumas descidas, a trilha fica plana e sai em um bonito campo aberto. Nesse ponto (e em vários outros), a navegação é mais instintiva e é preciso prestar bastante atenção na calha da trilha, que muitas vezes fica fechada pela vegetação baixa.

Detalhe do totem do Santo Daime.
Foto: Fabio Fliess

Chegamos num bonito mirante onde avistamos uma enorme cachoeira, que chegamos a pensar que fosse a Cachoeira da Juju, nosso objetivo do dia. Logo a trilha começa a descer para a esquerda, e entramos novamente na mata, com fortes descidas.  Quando saímos da floresta, entramos em um enorme campo aberto, onde está fincado um “totem” do Santo Daime, a direita da trilha. Deixamos as mochilas e fomos fotografar o tal totem. Não achei nada demais, e voltei com os outros para a trilha principal (na verdade, uma estrada) onde fizemos um lanche rápido.
Um pouco mais a frente, essa estrada bifurca. Seguindo a esquerda, existe um bom ponto para coletar água e existe a possibilidade de abortar a trilha seguindo até o Vale do Matutu. A continuação da travessia é pela direita, cruzando uma bonita mata. Um pouco a frente, cruzamos novamente um riacho, andamos um pouco mais e a trilha vira a direita uns 90˚. 

A trilha vai subindo e descendo morros durante um bom trecho.
Foto: Fabio Fliess

A partir desse ponto, vamos subindo e descendo vários morros, debaixo de um sol forte. O visual é que anima e compensa. Depois da descida do terceiro ou quarto morro (nem me recordo mais), encontramos um local plano e com sombra para fazermos uma refeição reforçada.  Até ali, já tínhamos caminhado cerca de 9km, metade do estimado para o dia.  Ficamos quase meia hora comendo, conversando e descansando.
Retomamos a caminhada, e pouco depois chegamos num bonito mirante (apesar da falta de água, um bonito local para acampamento). A trilha começa a descer em direção ao fundo do vale. Ali, passamos por dois pontos de água, sendo o primeiro dentro de uma pequena floresta. Após (mais) uma subida, quando chegamos ao topo avistamos um grande rio que teríamos que cruzar, que possui uma enorme cachoeira e um belo poço.
Descemos até a calha do rio e começamos a procurar um ponto para atravessá-lo. Embora os relatos mencionem que é mais fácil atravessar um pouco mais acima, optamos por fazê-lo bem perto da cachoeira.  Embora a correnteza fosse forte, o volume de água não era tão grande.  Preparamos tudo e pouco tempo depois, estávamos todos na outra margem, em segurança!

A bonita cachoeira avistada depois de cruzarmos o rio.
Foto: Fabio Fliess

A alegria de atravessar o rio em segurança logo foi ofuscada pelas fortes subidas que iríamos encarar pela frente.  Passamos próximos a um casebre (uma referência da trilha), continuando a subir o forte aclive e em pouco tempo estávamos caminhando numa bonita crista. Andando um pouco mais, a trilha chega ao final de uma estrada que desce para a esquerda e leva até a localidade de Alagoa (outro ponto para abandonar a travessia). Na direção oposta, essa estrada vira uma trilha bastante erodida em direção ao fundo do vale. Seguimos por essa trilha e já estava bem tarde quando chegamos num riacho, e na dúvida, resolvemos encher os cantis.  Não tínhamos certeza se conseguiríamos chegar a Cachoeira da Juju com luz, e já pensávamos em outras opções para pernoitar.
Após o riacho, temos mais um trecho de subida forte, que subi resignado. Chegando ao topo dessa elevação, a trilha fica mais plana e a caminhada rende um pouco mais. Cerca de 10 minutos depois chegamos num mirante onde finalmente avistamos o destino do dia.  Visualizamos os grandes poços da cachoeira e sabíamos que faltava pouco. 

Avistando as corredeiras da Cachoeira da Juju, no final do dia.
Foto: Gustavo Machado

Um pouco mais animados com a proximidade do acampamento, começamos a forte descida até a cachoeira. Inicialmente em um trecho bastante erodido, com muitas pedras soltas, até chegar numa porteira. A partir dali, a navegação foi praticamente visual, e apenas em alguns pontos conseguíamos enxergar o capim amassado indicando a trilha.  Após uma forte descida, bastante cansativa e perigosa (a Lidiane chegou a torcer levemente o pé) cruzamos um pequeno pasto e finalmente chegamos à área de acampamento, ao lado da cachoeira. Eram 18h e praticamente não tínhamos mais luz natural.
Usando as lanternas, montamos nossas barracas. Os mais corajosos ainda encararam um banho completo na cachoeira!
Por conta das aranhas e escorpiões que apareceram no nosso acampamento, a Letícia perdeu a fome e desistiu de cozinhar.  Não me incomodei com isso, pois na verdade estava sem fome.  O restante da turma preparou suas refeições. Eu apenas filei um pouco de vinho tinto “Travessia” (nome muito apropriado), levado pelo Fiorini.  
Foram praticamente 10h de caminhada pesada! Antes das 20h já estavam todos dormindo. 

A beleza da Serra da Mantiqueira nos levava sempre a frente.
Foto: Fabio Fliess

Marcelo Garcia na aproximação da Cachoeira da Juju, com o sol já se pondo.
Foto: Gustavo Machado

Por do sol, visto do último morro antes da Juju.
Foto: Fábio Fliess